Um dos debates mais interessantes entre os que são propostos no mundo do gerenciamento de projetos é o das competências necessárias para o gerente de projetos – esta estranha figura. Normalmente (eu diria até que por uma distorção histórica), os gerentes de projeto sempre foram recrutados na área técnica das organizações. Assim, por algum tipo de “determinismo biológico”, eles sempre acabavam por ter sólidos conhecimentos e apresentavam competência comprovada na área técnica. O problema é que, na medida em que o conhecimento sobre a atividade aumentava (e continua aumentando, porque isto é um processo, não vai acabar nunca), as habilidades “soft” comprovavam cada vez mais a sua importância. No fim das contas, o próprio PMI, sem dúvida a mais reconhecida autoridade mundial no tema, adota hoje uma posição meio em cima do muro; por um lado, valoriza muito a certificação PMP (Project Management Professional), a qual é obtida através de uma prova (ou seja, fundamentalmente representa conhecimento técnico), mas, por outro, no seu livro “sagrado” PMBoK Guide, defende que existem habilidades muito importantes do tipo Liderança, Comunicação, Gerenciamento de Conflitos, e outras, sem as quais o gerente de projetos não consegue realizar seu trabalho de forma satisfatória.
E aí, perguntamos nós, pobres mortais, como é que fica? São mais importantes o conhecimento técnico e a certificação, ou as habilidades de relacionamento? Ou será que o gerente de projeto, como se fosse uma pizza, pode ser “mezzo calabresa, mezzo muzzarela”?
É claro que a resposta está mais ou menos no meio do caminho mas, como não nos move o nobre propósito de esclarecer as pessoas, mas sim o de rir um pouco, trago, mais para confundir do que para explicar, uma história que envolve futebol e macumba, e que foi maravilhosamente contada pelo brilhante escritor Plínio Marcos, na revista Placar, lá pelos idos de setenta e poucos (estou citando de memória, portanto me dou o direito de cometer alguns equívocos em relação ao original).
Segundo a narrativa, em algum ano do início da década de sessenta, o time do Botafogo do Rio, apesar de contar com craques do nível de Didi, Nilton Santos, Garrincha e outros, atravessava uma fase complicada no torneio Rio-São Paulo (que, na época, era a mais importante competição interestadual existente. O Campeonato Brasileiro só viria alguns anos mais tarde, em 1971). Contava o autor de “Dois perdidos em uma noite suja” que o Botafogo vinha de três derrotas seguidas, a torcida cobrava providências, e o próximo jogo era no domingo seguinte, em São Paulo, contra a (na época) perigosa Portuguesa de Desportos. Lá pelas tantas, como sempre ocorre nestas situações, apareceu uma cabeça iluminada na diretoria botafoguense para decretar que o problema do time era espiritual; havia algum tipo de “amarração” que impedia a bola de entrar no gol inimigo. Ato contínuo, resolveram contratar um pai-de-santo de competência comprovada para ajudar a resolver a crise do time. Vamos batizá-lo de Pai Joaquim, para continuar contando a história.
Como os tempos eram de vacas gordas, Pai Joaquim recebeu do clube passagens e hotel, além de um adiantamento para comprar o seu material de trabalho (velas, farofa, etc...). Foi para São Paulo já na sexta-feira, aproveitando a noite para deixar seus despachos botafoguenses nas devidas encruzilhadas da capital paulistana. Só que um detalhe importante foi esquecido; ele não entendia absolutamente nada de futebol. Não lia, não acompanhava, e a única coisa que sabia é que tinha sido contratado para ajudar um time chamado Botafogo a vencer um determinado jogo. E este detalhe foi fatal para o desfecho da história. Sim, porque, no sábado, ao sair para dar uma volta pela manhã paulistana, o nosso bom Pai Joaquim viu, na banca de jornais, uma manchete da seção esportiva anunciando; hoje, no estádio da rua Javari, Juventus x Botafogo. Surpreso (o jogo do Botafogo não era domingo? Puxa vida, me deram uma informação errada!), deve ter atribuído a feliz coincidência de ler a notícia a seus bons mentores espirituais. Mal ele sabia que, na verdade, aquilo era uma armação das forças da maldade. Sim, porque, na sua total ingenuidade sobre o bretão esporte, ele não fazia a menor idéia de que existia, em Ribeirão Preto, um outro Botafogo, e era este que ia enfrentar o Juventus, por um torneiozinho mixuruca que os times pequenos paulistas jogavam, enquanto os grandes estavam envolvidos no Rio-São Paulo.
Pai Joaquim foi para a rua Javari, preparado para completar o seu bom trabalho. Ao chegar (provavelmente pela primeira vez na vida) na arquibancada do estádio, foi assombrado por uma dúvida; afinal, qual dos dois times em campo era o Botafogo? Pediu a informação para um torcedor próximo (no caso, devíamos ter umas dez ou quinze testemunhas, dada a pouquíssima importância do jogo). O cara deve ter estranhado o despropósito da pergunta mas, gentilmente, informou que o time de branco era o Botafogo, e o de vermelho, o Juventus. Pai Joaquim agradeceu a informação, procurou um canto isolado da arquibancada (coisa não muito difícil, diga-se), e ali ficou o jogo todo, fazendo suas rezas. Não sei se por competência dele, ou incompetência do Juventus, ou tudo junto, o resultado final do jogo foi Botafogo 4x0 – o simpático time da rua Javari foi humilhado com uma goleada em sua própria casa. Satisfeito, Pai Joaquim voltou para o Rio no mesmo dia, com sua missão cumprida (pelo menos na opinião dele).
No jogo de domingo, imaginem o que aconteceu? O Botafogo (o do Rio, é claro) levou uma goleada de 4x0 da Portuguesa. Sem saber de nada, o nosso herói foi na segunda-feira à sede de General Severiano, para receber seus honorários. Obviamente, foi quase jogado porta afora; afinal, a gente perde de quatro e você ainda quer dinheiro, seu safado? Resultado final (lições aprendidas, diria o PMBoK Guide); Pai Joaquim acreditou, até o último de seus dias neste planeta, que foi vítima de uma gozação por parte do torcedor da rua Javari – que, trocando a identidade dos times, o teria induzido a usar toda a sua força espiritual em favor do lado errado. Dizem que rogou uma praga para o sujeito que deve ter estragado completamente a vida dele, mas isto pode ser apenas um boato. O fato é que nunca passou pela cabeça dele que, na verdade, eram dois Botafogos, em dois jogos diferentes, um ganhando e outro perdendo pelo mesmo escore.
O moral desta história, colocada como um “case” de gerenciamento de projetos, é simples; procure sempre conhecer as competências e fraquezas de um profissional antes de contratá-lo, e tome muito cuidado com os detalhes, nesta hora. Nosso bom Pai Joaquim era, provavelmente, muito competente nos assuntos da área espiritual, mas tinha limitações no conhecimento específico de futebol – e, no caso, quem o contratou não deu a devida atenção a este fato. Uma velha história que se repete; detalhes esquecidos na fase de planejamento, inexistência de procedimentos para autorização e gerenciamento de mudanças (ele devia ter ligado para alguém para confirmar se a data do jogo havia sido trocada para sábado, mesmo), atribuições mal definidas (alguém devia ter se responsabilizado por aferir o conhecimento que ele tinha sobre futebol e, constatada a absoluta falta deste conhecimento, explicar, em detalhe, quem era o Botafogo e onde era o jogo), e várias outras coisinhas que fazem um projeto aparentemente sólido desabar deste jeito. Não foi o primeiro caso, nem será o último – mas que foi um dos mais divertidos que eu já ouvi falar, lá isto foi.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
CAUSOS, CULTURAS E RESULTADOS – PARTE 1 (de muitas)
Fiel ao espírito do blog, vou começar hoje a contar uma série (que espero seja interminável) de “causos” que demonstram minha tese (quase minha obsessão), sobre a influência da cultura e das crenças em nosso dia a dia – incluindo aí nossos projetos, sucessos e fracassos. Aliás, antes que eu me esqueça, a tese não é exatamente minha; Douglass North, economista que já ganhou até um Prêmio Nobel, disse que “somos prisioneiros de nossas próprias crenças”. E mais adiante acrescentou; “um País que valoriza a pirataria, vai produzir os melhores piratas”. Ou seja; cada um colhe o que planta. E as crenças são a nossa bússola.
Primeiro exemplo; o dragão da inflação brasileira começa a despertar. E o remédio prescrito é o de sempre; subir as taxas de juros. E aí vem uma pergunta que não quer calar; será que é preciso mesmo subir uma taxa de juros que já é a maior do mundo?
A resposta, infelizmente, é sim. E a explicação é muito simples; está nas nossas crenças, na nossa cultura. Fazendo um paralelo entre o Brasil e o Japão (só para citar um País onde a taxa de juros é baixíssima, independente de terremotos e tsunamis), vamos partir para um “causo” comparativo.
Talvez a maior característica do japonês seja a disciplina. Isto foi cantado em prosa e verso depois da tragédia de 11 de março (meu aniversário, por triste coincidência). Então imaginem um japonês que ganhe o equivalente a R$ 5.000,00 por mês. Posso dizer, sem medo de errar, que o máximo que ele vai gastar mensalmente serão R$ 4.000,00; os mil restantes vão para a poupança. E ai ele resolve comprar uma TV nova, por R$ 1.500,00. Pensam que ele vai tirar o dinheiro da poupança? Never. O japonês aperta o cinto durante os três meses seguintes, reduzindo seu gasto para R$ 3.500,00 mensais. Assim, ao final dos três meses, ele chega na loja com os R$ 1.500,00 que poupou a mais e compra a TV. Simples assim.
Já o brasileiro... bom, se o cara ganha R$ 5.000,00 por mês, tenho certeza que o mínimo que ele gasta é o salário todo. Você não leu errado; eu falei o mínimo, mesmo. Isto na melhor das hipóteses. E aí ele resolve comprar uma TV nova. O que ele faz? Descobre uma oferta sensacional do Magazine do Ricardão, ou das Casas Paraíba; zero de entrada, e comece a pagar depois da Copa América (ou do dia dos Namorados, ou do Natal, enfim, qualquer evento que esteja mais ou menos a três meses de distância). Dali prá frente serão apenas 36 prestações de R$ 100,00. Moleza completa! A única coisa que ele não vê é que vai pagar mais de duas vezes o valor da TV. Mas alguém está preocupado com isto?
As crenças ajudam a explicar isto. Japoneses são profundamente religiosos – este é um valor muito sério para eles. E, para os budistas a pior coisa que pode acontecer a alguém é morrer e deixar a família em dificuldades – dizem que o espírito irá sofrer muito, e a família também. Isto gera, na economia japonesa, um efeito que às vezes é danoso; eles odeiam consumir. Mas é só comparar a nossa situação com a deles para ver que isto não é de todo ruim.
Já o brasileiro, mesmo se dizendo religioso (em alguns casos), é o hedonista por princípio. O grande medo do brasileiro é morrer e não ter curtido o suficiente. Ninguém tem paciência de esperar; queremos tudo ao mesmo tempo agora. É só a situação melhorar um pouquinho, para termos verdadeiros estouros de boiada em termos de consumo. O resultado é que hoje estamos com uma situação que não tem como se sustentar (não precisa ser um gênio em economia para entender isto); o Brasil é um dos lugares mais caros do Mundo para viver. Já passamos por isto antes; no início dos anos 70, o Presidente Médici saiu do governo com uma aprovação muito semelhante à que Lula teve; na época do Plano Cruzado, Sarney virou ídolo nacional. As receitas foram semelhantes; gastança de dinheiro público, um crescimento inflado pelo aumento estratosférico da dívida pública, e lá vamos nós, de novo. Infelizmente, o consumidor brasileiro insiste em se comportar como uma criança mal educada, que não pode ver a mesa cheia que já quer comer todos os doces ao mesmo tempo. Depois vem uma dor de barriga... Aliás, a expressão “criança mal educada” não apareceu no texto por acaso; a única coisa que poderá salvar este País é a educação. E o começo da educação é a reforma dos paradigmas.
Moral da história; cada um chega aonde tem que chegar – ou onde suas crenças o levam. Demonstramos nosso teorema. Mas, conforme eu disse, esta é só a primeira história. Outras virão, se Deus quiser...
Primeiro exemplo; o dragão da inflação brasileira começa a despertar. E o remédio prescrito é o de sempre; subir as taxas de juros. E aí vem uma pergunta que não quer calar; será que é preciso mesmo subir uma taxa de juros que já é a maior do mundo?
A resposta, infelizmente, é sim. E a explicação é muito simples; está nas nossas crenças, na nossa cultura. Fazendo um paralelo entre o Brasil e o Japão (só para citar um País onde a taxa de juros é baixíssima, independente de terremotos e tsunamis), vamos partir para um “causo” comparativo.
Talvez a maior característica do japonês seja a disciplina. Isto foi cantado em prosa e verso depois da tragédia de 11 de março (meu aniversário, por triste coincidência). Então imaginem um japonês que ganhe o equivalente a R$ 5.000,00 por mês. Posso dizer, sem medo de errar, que o máximo que ele vai gastar mensalmente serão R$ 4.000,00; os mil restantes vão para a poupança. E ai ele resolve comprar uma TV nova, por R$ 1.500,00. Pensam que ele vai tirar o dinheiro da poupança? Never. O japonês aperta o cinto durante os três meses seguintes, reduzindo seu gasto para R$ 3.500,00 mensais. Assim, ao final dos três meses, ele chega na loja com os R$ 1.500,00 que poupou a mais e compra a TV. Simples assim.
Já o brasileiro... bom, se o cara ganha R$ 5.000,00 por mês, tenho certeza que o mínimo que ele gasta é o salário todo. Você não leu errado; eu falei o mínimo, mesmo. Isto na melhor das hipóteses. E aí ele resolve comprar uma TV nova. O que ele faz? Descobre uma oferta sensacional do Magazine do Ricardão, ou das Casas Paraíba; zero de entrada, e comece a pagar depois da Copa América (ou do dia dos Namorados, ou do Natal, enfim, qualquer evento que esteja mais ou menos a três meses de distância). Dali prá frente serão apenas 36 prestações de R$ 100,00. Moleza completa! A única coisa que ele não vê é que vai pagar mais de duas vezes o valor da TV. Mas alguém está preocupado com isto?
As crenças ajudam a explicar isto. Japoneses são profundamente religiosos – este é um valor muito sério para eles. E, para os budistas a pior coisa que pode acontecer a alguém é morrer e deixar a família em dificuldades – dizem que o espírito irá sofrer muito, e a família também. Isto gera, na economia japonesa, um efeito que às vezes é danoso; eles odeiam consumir. Mas é só comparar a nossa situação com a deles para ver que isto não é de todo ruim.
Já o brasileiro, mesmo se dizendo religioso (em alguns casos), é o hedonista por princípio. O grande medo do brasileiro é morrer e não ter curtido o suficiente. Ninguém tem paciência de esperar; queremos tudo ao mesmo tempo agora. É só a situação melhorar um pouquinho, para termos verdadeiros estouros de boiada em termos de consumo. O resultado é que hoje estamos com uma situação que não tem como se sustentar (não precisa ser um gênio em economia para entender isto); o Brasil é um dos lugares mais caros do Mundo para viver. Já passamos por isto antes; no início dos anos 70, o Presidente Médici saiu do governo com uma aprovação muito semelhante à que Lula teve; na época do Plano Cruzado, Sarney virou ídolo nacional. As receitas foram semelhantes; gastança de dinheiro público, um crescimento inflado pelo aumento estratosférico da dívida pública, e lá vamos nós, de novo. Infelizmente, o consumidor brasileiro insiste em se comportar como uma criança mal educada, que não pode ver a mesa cheia que já quer comer todos os doces ao mesmo tempo. Depois vem uma dor de barriga... Aliás, a expressão “criança mal educada” não apareceu no texto por acaso; a única coisa que poderá salvar este País é a educação. E o começo da educação é a reforma dos paradigmas.
Moral da história; cada um chega aonde tem que chegar – ou onde suas crenças o levam. Demonstramos nosso teorema. Mas, conforme eu disse, esta é só a primeira história. Outras virão, se Deus quiser...
sábado, 21 de maio de 2011
Projetos do Campeonato Brasileiro - 2011
Repetindo o que fiz no ano passado, seguem as nossas previsões para os projetos dos times brasileiros para o campeonato que começa hoje. Para quem não leu o post anterior, repito o texto introdutório. A única (e significativa) modificação é que trata-se de um novo campeonato, com novos times... Vamos lá.
Costumo dizer que, em projetos, não se deve trabalhar com valores fixos para prazo, custo e resultados, de um modo geral. Isto pode até ser válido para casos específicos (projetos de curtíssimo prazo, por exemplo), mas, de um modo geral, acho que é mais razoável considerar os resultados de outra forma. A própria análise quantitativa de riscos nos conduz a isto; via de regra, o seu resultado final nos diz que o prazo (ou custo) do projeto pode variar de “x” a “y”, dentro de uma curva probabilística. Assim sendo, considero que é uma boa prática, ao fixarmos os chamados “objetivos” de um projeto, trabalhar com pelo menos três cenários; o principal, o pessimista e o otimista. Assim, ao invés de afirmar que o projeto vai durar dez meses e custar duzentos mil reais, prefiro acrescentar um “sujeito a pequenos desvios” (o que significa “pequenos desvios”? Varia caso a caso. Digamos que 10 a 20% é um chute razoável).
Além disto, podemos ter cenários de “grande satisfação” (melhor que o otimista) e “grande insatisfação” (pior que o pessimista), para os quais poderíamos fixar um desvio de até 50% (chute). O que cair fora disto, pode ser felicidade total ou tragédia, mas é uma probabilidade muito baixa.
Procurando dar um exemplo prático, vamos de novo ao futebol. Neste momento, vinte clubes do Brasil lançam-se a um projeto que vai durar os próximos oito meses; o Campeonato Brasileiro. Para efeito didático, dividi os clubes em quatro grupos, usando para isto a minha sabedoria absoluta sobre o assunto (não abrirei discussões, é claro. Vale a minha opinião e acabou). Para cada grupo, fiz uma projeção de resultados prováveis, otimistas e pessimistas e, em alguns casos, tragédias e felicidades totais. Vamos ver em dezembro qual o meu índice de acertos...
Grupo A – Internacional, Cruzeiro, Santos(*)
Objetivo do projeto; Ser campeão
Vaga na Libertadores – não foi bem o que o cliente queria, mas... ainda é satisfatório;
Vaga na Sulamericana – hipótese pessimista;
Menos que isto – grande insatisfação, tragédia
Grupo B – Grêmio, Corinthians, Fluminense, Flamengo, Coritiba (*)
Objetivo do Projeto; Vaga na Libertadores
Ser campeão – hipótese otimista;
Vaga na Sulamericana – hipótese pessimista;
Escapar do rebaixamento – grande insatisfação;
Rebaixamento – tragédia
Grupo C – Avai (*), Botafogo, Vasco (*), São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG
Objetivo do projeto; Vaga na Sulamericana
Ser campeão – excederia a expectativa;
Vaga na Libertadores – hipótese otimista;
Escapar do rebaixamento – hipótese pessimista;
Rebaixamento – grande insatisfação.
Grupo D – Figueirense, Atlético-GO, Atlético-PR, Ceará (*), Bahia, América-MG
Objetivo do projeto; escapar do rebaixamento
Ser campeão – fala sério... o cliente vai ter um infarto.
Vaga na Libertadores – excederia a expectativa;
Vaga na Sulamericana – hipótese otimista;
Rebaixamento – hipótese pessimista.
(*) – Detalhe importante; estes cinco clubes (Santos, Vasco, Avaí, Ceará e Coritiba) ainda estão envolvidos em torneios que dão vagas para a Libertadores-2012. Assim sendo, se algum deles garantir a vaga, já vai deixar o cliente feliz o suficiente. É só não ser rebaixado...
Notas importantes; no ano passado, o campeão foi o Fluminense, que eu havia colocado no grupo “C”. Já o Vitória que, no início do campeonato, estava disputando a final da Copa do Brasil (perdeu para o Santos), acabou sendo rebaixado... Enfim, como diria Júlio Cesar (o Imperador romano, não o goleiro do Corinthians); alea jacta est!
Costumo dizer que, em projetos, não se deve trabalhar com valores fixos para prazo, custo e resultados, de um modo geral. Isto pode até ser válido para casos específicos (projetos de curtíssimo prazo, por exemplo), mas, de um modo geral, acho que é mais razoável considerar os resultados de outra forma. A própria análise quantitativa de riscos nos conduz a isto; via de regra, o seu resultado final nos diz que o prazo (ou custo) do projeto pode variar de “x” a “y”, dentro de uma curva probabilística. Assim sendo, considero que é uma boa prática, ao fixarmos os chamados “objetivos” de um projeto, trabalhar com pelo menos três cenários; o principal, o pessimista e o otimista. Assim, ao invés de afirmar que o projeto vai durar dez meses e custar duzentos mil reais, prefiro acrescentar um “sujeito a pequenos desvios” (o que significa “pequenos desvios”? Varia caso a caso. Digamos que 10 a 20% é um chute razoável).
Além disto, podemos ter cenários de “grande satisfação” (melhor que o otimista) e “grande insatisfação” (pior que o pessimista), para os quais poderíamos fixar um desvio de até 50% (chute). O que cair fora disto, pode ser felicidade total ou tragédia, mas é uma probabilidade muito baixa.
Procurando dar um exemplo prático, vamos de novo ao futebol. Neste momento, vinte clubes do Brasil lançam-se a um projeto que vai durar os próximos oito meses; o Campeonato Brasileiro. Para efeito didático, dividi os clubes em quatro grupos, usando para isto a minha sabedoria absoluta sobre o assunto (não abrirei discussões, é claro. Vale a minha opinião e acabou). Para cada grupo, fiz uma projeção de resultados prováveis, otimistas e pessimistas e, em alguns casos, tragédias e felicidades totais. Vamos ver em dezembro qual o meu índice de acertos...
Grupo A – Internacional, Cruzeiro, Santos(*)
Objetivo do projeto; Ser campeão
Vaga na Libertadores – não foi bem o que o cliente queria, mas... ainda é satisfatório;
Vaga na Sulamericana – hipótese pessimista;
Menos que isto – grande insatisfação, tragédia
Grupo B – Grêmio, Corinthians, Fluminense, Flamengo, Coritiba (*)
Objetivo do Projeto; Vaga na Libertadores
Ser campeão – hipótese otimista;
Vaga na Sulamericana – hipótese pessimista;
Escapar do rebaixamento – grande insatisfação;
Rebaixamento – tragédia
Grupo C – Avai (*), Botafogo, Vasco (*), São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG
Objetivo do projeto; Vaga na Sulamericana
Ser campeão – excederia a expectativa;
Vaga na Libertadores – hipótese otimista;
Escapar do rebaixamento – hipótese pessimista;
Rebaixamento – grande insatisfação.
Grupo D – Figueirense, Atlético-GO, Atlético-PR, Ceará (*), Bahia, América-MG
Objetivo do projeto; escapar do rebaixamento
Ser campeão – fala sério... o cliente vai ter um infarto.
Vaga na Libertadores – excederia a expectativa;
Vaga na Sulamericana – hipótese otimista;
Rebaixamento – hipótese pessimista.
(*) – Detalhe importante; estes cinco clubes (Santos, Vasco, Avaí, Ceará e Coritiba) ainda estão envolvidos em torneios que dão vagas para a Libertadores-2012. Assim sendo, se algum deles garantir a vaga, já vai deixar o cliente feliz o suficiente. É só não ser rebaixado...
Notas importantes; no ano passado, o campeão foi o Fluminense, que eu havia colocado no grupo “C”. Já o Vitória que, no início do campeonato, estava disputando a final da Copa do Brasil (perdeu para o Santos), acabou sendo rebaixado... Enfim, como diria Júlio Cesar (o Imperador romano, não o goleiro do Corinthians); alea jacta est!
sábado, 5 de março de 2011
SUCESSO E FRACASSO - O PARADIGMA BRASILEIRO
Resolvi escrever esta historinha a partir de uma tirinha genial que foi publicada no jornal "O Globo" de domingo passado (27/02). O autor chama-se Bruno Drummond, e, para mim é um dos mais brilhantes cartunistas do Brasil. E a história tem tudo a ver com algumas coisas que gosto de falar em minhas aulas, sobre a influência da cultura e dos valores de um grupo nos resultados obtidos. E o Brasil, sem dúvida, é um País com uma cultura e valores muito próprios...
Vamos à historinha;
A mulher chega em casa com cara de poucos amigos. Na verdade, seu semblante é a personificação da chamada “Dona Encrenca”. O marido está respondendo um e-mail do filho e nem percebe que ela está à beira de um ataque de nervos. Os dois estão na faixa etária dos quarenta e muitos, quase cinquenta.
Muito feliz, o marido fala;
- Ainda bem que você chegou! Olha que boa notícia; o Júnior disse que a tese de doutorado que ele está concluindo na Alemanha vai ser publicada em uma revista científica europeia...
Mas a mulher não que saber de sorrisos;
- Sabe quem eu encontrei agora? A Carmen, nossa colega de faculdade, lembra dela?
- É claro que lembro... só que a gente não se vê há uns dez anos. Lembro que ela tinha uma filha pequena, a Suellen... que hoje deve estar com uns vinte anos, mais ou menos...
- Pois é. O problema é este. Nós começamos a falar dos filhos. Eu nunca fui tão humilhada na minha vida! (neste momento, o marido repara que a mulher está a um passo da histeria total).
- Mas porque?
- Pois é. Eu falei para ela que o Júnior se formou em Física Nuclear, e está fazendo doutorado na Alemanha, que a Nanda é engenheira ambiental e dá aulas em diversas faculdades, além de ser consultora de empresas na área...
- E aí?
- Aí eu perguntei sobre a Suellen. Ela deu uma risadinha cínica e perguntou; você não tem televisão em casa, baby?
- A Suellen está na televisão?
- Na TV, na internet, na mídia toda... Você lembra do último “Big Brother”?
- Sei lá. Devo ter visto uma ou duas vezes...
- Lembra de uma menina conhecida como “Su”, que aprontou todas?
- Acho que sim... não é uma que, na mesma festa, beijou dois rapazes e duas meninas, depois se jogou nua na piscina, e quando foi eliminada ainda deu uma lambida na orelha do Pedro Bial?
- Ela mesma... Pois é a Suellen! E não parou por aí; ela apareceu no Faustão, na Luciana Jimenez, já fez três ensaios eróticos para revistas masculinas, saiu como destaque em duas escolas de samba, namorou vários jogadores de futebol e agora parece que está grávida de um cantor sertanejo de sucesso!
- Meu Deus!
- E os nossos filhos... físico nuclear, engenheira ambiental... que coisa mais sem graça!
- Fracasso total...
O casal se abraça, chorando;
- Onde foi que nós erramos?
Vamos à historinha;
A mulher chega em casa com cara de poucos amigos. Na verdade, seu semblante é a personificação da chamada “Dona Encrenca”. O marido está respondendo um e-mail do filho e nem percebe que ela está à beira de um ataque de nervos. Os dois estão na faixa etária dos quarenta e muitos, quase cinquenta.
Muito feliz, o marido fala;
- Ainda bem que você chegou! Olha que boa notícia; o Júnior disse que a tese de doutorado que ele está concluindo na Alemanha vai ser publicada em uma revista científica europeia...
Mas a mulher não que saber de sorrisos;
- Sabe quem eu encontrei agora? A Carmen, nossa colega de faculdade, lembra dela?
- É claro que lembro... só que a gente não se vê há uns dez anos. Lembro que ela tinha uma filha pequena, a Suellen... que hoje deve estar com uns vinte anos, mais ou menos...
- Pois é. O problema é este. Nós começamos a falar dos filhos. Eu nunca fui tão humilhada na minha vida! (neste momento, o marido repara que a mulher está a um passo da histeria total).
- Mas porque?
- Pois é. Eu falei para ela que o Júnior se formou em Física Nuclear, e está fazendo doutorado na Alemanha, que a Nanda é engenheira ambiental e dá aulas em diversas faculdades, além de ser consultora de empresas na área...
- E aí?
- Aí eu perguntei sobre a Suellen. Ela deu uma risadinha cínica e perguntou; você não tem televisão em casa, baby?
- A Suellen está na televisão?
- Na TV, na internet, na mídia toda... Você lembra do último “Big Brother”?
- Sei lá. Devo ter visto uma ou duas vezes...
- Lembra de uma menina conhecida como “Su”, que aprontou todas?
- Acho que sim... não é uma que, na mesma festa, beijou dois rapazes e duas meninas, depois se jogou nua na piscina, e quando foi eliminada ainda deu uma lambida na orelha do Pedro Bial?
- Ela mesma... Pois é a Suellen! E não parou por aí; ela apareceu no Faustão, na Luciana Jimenez, já fez três ensaios eróticos para revistas masculinas, saiu como destaque em duas escolas de samba, namorou vários jogadores de futebol e agora parece que está grávida de um cantor sertanejo de sucesso!
- Meu Deus!
- E os nossos filhos... físico nuclear, engenheira ambiental... que coisa mais sem graça!
- Fracasso total...
O casal se abraça, chorando;
- Onde foi que nós erramos?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
PARA QUE A TRAGÉDIA NÃO TENHA SIDO EM VÃO...
Tenho uma pequena casa de veraneio em Teresópolis, exatamente no Parque do Imbuhy – um dos bairros mais atingidos pela tragédia. Por pura sorte, nem eu nem nenhum membro de minha família estava lá naquele dia, e por mais sorte ainda fiquei sabendo que minha casa praticamente não foi atingida. Assim sendo, embora não tenha praticamente nada a lamentar do ponto de vista pessoal, o convívio de quase uma década com as belezas naturais e o povo desta linda cidade fez com que eu sentisse a dor desta tragédia com muita intensidade. Preocupado com o futuro desta terra que, de certa forma, também é minha, lembrei de uma pequena história que costumo usar em minhas aulas sobre gerenciamento de projetos e que, neste momento, pode ser preciosa para a nossa orientação.
Dizem que passado o terremoto de Lisboa (1755), o Rei perguntou ao General o que se havia de fazer.
Ele respondeu ao Rei: 'Sepultar os mortos, fechar os portos e cuidar dos vivos'.
Essa resposta simples, franca e direta tem muito a nos ensinar.
Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e chorando o passado. É preciso 'sepultar' o passado. As marcas, a saudade, o respeito, tudo isto fica; mas não adianta mais chorar. Isto inclui a inútil busca por culpados, neste momento. Tenho certeza que nunca mais vou ficar olhando pela janela de minha casa, contemplando o espetáculo das montanhas iluminadas pelo sol da manhã com a mesma despreocupação de antes, mas é preciso conviver com isto.
Fechar os portos significa não deixar as 'portas' abertas para que novos problemas possam surgir ou 'vir de fora' enquanto estamos cuidando e salvando o que restou do terremoto de nossa vida. Significa concentrar-se na reconstrução, no novo. E não deixar que algum dia, isto se repita. E isto tudo nos leva à terceira frase, a mais importante de todas.
Cuidar dos vivos significa que, depois de enterrar o passado, em seguida temos que cuidar do presente. Cuidar do que sobrou, e dos que sobraram. E o primeiro passo é o aprendizado. Porque deixamos a coisa chegar onde chegou? Podemos xingar os políticos, estes safados, corruptos, mas quem elege estes caras? O que cada um de nós pode fazer melhor daqui para diante? O nome mais simples deste processo é EDUCAÇÃO. Não só no sentido de educação formal, mas principalmente de criar uma cultura diferente nos nossos relacionamentos diários; prestar mais atenção aos outros, ser solidário, participar mais das decisões referentes à nossa comunidade. Apenas dar de ombros e dizer que “o Brasil é assim mesmo e não vai mudar nunca” é muito fácil. E covarde. Se voltarmos a fazer as coisas do mesmo jeito que sempre fizemos, os resultados serão sempre os mesmos, não é preciso ser um gênio para entender isto.
É assim que a história, a mestra da vida, nos ensina. Que a dura lição que a força da natureza nos impôs não seja esquecida. E que, caso ocorra um novo fenômeno parecido, que desta vez nós estejamos muito mais preparados para enfrenta-lo. Depende só de nós.
Dizem que passado o terremoto de Lisboa (1755), o Rei perguntou ao General o que se havia de fazer.
Ele respondeu ao Rei: 'Sepultar os mortos, fechar os portos e cuidar dos vivos'.
Essa resposta simples, franca e direta tem muito a nos ensinar.
Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e chorando o passado. É preciso 'sepultar' o passado. As marcas, a saudade, o respeito, tudo isto fica; mas não adianta mais chorar. Isto inclui a inútil busca por culpados, neste momento. Tenho certeza que nunca mais vou ficar olhando pela janela de minha casa, contemplando o espetáculo das montanhas iluminadas pelo sol da manhã com a mesma despreocupação de antes, mas é preciso conviver com isto.
Fechar os portos significa não deixar as 'portas' abertas para que novos problemas possam surgir ou 'vir de fora' enquanto estamos cuidando e salvando o que restou do terremoto de nossa vida. Significa concentrar-se na reconstrução, no novo. E não deixar que algum dia, isto se repita. E isto tudo nos leva à terceira frase, a mais importante de todas.
Cuidar dos vivos significa que, depois de enterrar o passado, em seguida temos que cuidar do presente. Cuidar do que sobrou, e dos que sobraram. E o primeiro passo é o aprendizado. Porque deixamos a coisa chegar onde chegou? Podemos xingar os políticos, estes safados, corruptos, mas quem elege estes caras? O que cada um de nós pode fazer melhor daqui para diante? O nome mais simples deste processo é EDUCAÇÃO. Não só no sentido de educação formal, mas principalmente de criar uma cultura diferente nos nossos relacionamentos diários; prestar mais atenção aos outros, ser solidário, participar mais das decisões referentes à nossa comunidade. Apenas dar de ombros e dizer que “o Brasil é assim mesmo e não vai mudar nunca” é muito fácil. E covarde. Se voltarmos a fazer as coisas do mesmo jeito que sempre fizemos, os resultados serão sempre os mesmos, não é preciso ser um gênio para entender isto.
É assim que a história, a mestra da vida, nos ensina. Que a dura lição que a força da natureza nos impôs não seja esquecida. E que, caso ocorra um novo fenômeno parecido, que desta vez nós estejamos muito mais preparados para enfrenta-lo. Depende só de nós.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Projetos dos times brasileiros em 2010 – quais foram os clientes felizes?
No início do campeonato brasileiro de 2010, escrevi um “post” fixando as metas dos clubes para o ano. Agora é hora da prova final. Recordando, dividi os clubes em quatro grupos (ver abaixo). Na época ainda não haviam sido definidas as finais da copa do Brasil e da Libertadores (os clubes marcados com (*) ainda disputavam). Conforme sabemos, o Inter foi campeão da Libertadores e o Santos da Copa do Brasil. A nossa previsão era esta;
Grupo A – Internacional(*), São Paulo(*), Cruzeiro, Santos(*)
Objetivo do projeto; Ser campeão
Grupo B – Grêmio, Corinthians, Atlético-MG, Flamengo
Objetivo do Projeto; Vaga na Libertadores
Grupo C – Avai, Fluminense, Botafogo, Vasco, Vitória(*), Palmeiras, Atlético-PR
Objetivo do projeto; Vaga na Sulamericana
Grupo D – Goiás, Atlético-GO, Grêmio Prudente, Guarani, Ceará
Objetivo do projeto; escapar do rebaixamento
Hoje, acho que podemos classificar os clientes (torcedores) no seguinte “ranking”;
Ultra-mega-feliz – Fluminense (sem comentários);
Muito feliz – Grêmio (obteve a vaga na Libertadores de forma espetacular, e ainda viu o Inter pagar mico no Mundial de Clubes);
Satisfeitos – Cruzeiro, Corinthians, Santos (campeão da Copa do Brasil, fez um Brasileirão meia boca), Ceará, Atlético-GO, Atlético-PR, Botafogo, Palmeiras, Avaí. Estes times fizeram mais ou menos o papel esperado.
Insatisfeitos – São Paulo e Vasco (campanhas decepcionantes), Goiás, Guarani e Grêmio Prudente (rebaixados)
Muito insatisfeitos - Atlético-MG e Flamengo (quase rebaixados, escaparam na última hora), Vitória (afundou no segundo semestre e acabou rebaixado).
Restou o torcedor do Internacional, que viveu, em um ano, duas sensações muito distintas; depois de comemorar a conquista de sua segunda Libertadores em menos de cinco anos (coisa que só o Santos de Pelé e o São Paulo conseguiram até hoje), viu o time fazer uma péssima campanha no Brasileiro e, no fim do ano, conseguir o “feito” inédito de perder para um time africano no Mundial da FIFA. Do infinito ao zero em um ano. Fiquei em dúvida sobre como classificá-lo, mas tenho certeza que a decepção foi maior que a satisfação.
Grupo A – Internacional(*), São Paulo(*), Cruzeiro, Santos(*)
Objetivo do projeto; Ser campeão
Grupo B – Grêmio, Corinthians, Atlético-MG, Flamengo
Objetivo do Projeto; Vaga na Libertadores
Grupo C – Avai, Fluminense, Botafogo, Vasco, Vitória(*), Palmeiras, Atlético-PR
Objetivo do projeto; Vaga na Sulamericana
Grupo D – Goiás, Atlético-GO, Grêmio Prudente, Guarani, Ceará
Objetivo do projeto; escapar do rebaixamento
Hoje, acho que podemos classificar os clientes (torcedores) no seguinte “ranking”;
Ultra-mega-feliz – Fluminense (sem comentários);
Muito feliz – Grêmio (obteve a vaga na Libertadores de forma espetacular, e ainda viu o Inter pagar mico no Mundial de Clubes);
Satisfeitos – Cruzeiro, Corinthians, Santos (campeão da Copa do Brasil, fez um Brasileirão meia boca), Ceará, Atlético-GO, Atlético-PR, Botafogo, Palmeiras, Avaí. Estes times fizeram mais ou menos o papel esperado.
Insatisfeitos – São Paulo e Vasco (campanhas decepcionantes), Goiás, Guarani e Grêmio Prudente (rebaixados)
Muito insatisfeitos - Atlético-MG e Flamengo (quase rebaixados, escaparam na última hora), Vitória (afundou no segundo semestre e acabou rebaixado).
Restou o torcedor do Internacional, que viveu, em um ano, duas sensações muito distintas; depois de comemorar a conquista de sua segunda Libertadores em menos de cinco anos (coisa que só o Santos de Pelé e o São Paulo conseguiram até hoje), viu o time fazer uma péssima campanha no Brasileiro e, no fim do ano, conseguir o “feito” inédito de perder para um time africano no Mundial da FIFA. Do infinito ao zero em um ano. Fiquei em dúvida sobre como classificá-lo, mas tenho certeza que a decepção foi maior que a satisfação.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
E LÁ VEM ELES COM AS COTAS. DE NOVO...
Li hoje, na coluna do Ancelmo Goes, que Frei David dos Santos, descrito como “um grande batalhador da causa afrodescendente no Brasil”, teria escrito uma carta à futura Presidente Dilma Rousseff, pedindo um ministério com 30% de negros e 30% de mulheres.
Não conheço o Frei David dos Santos, mas já descobri que temos um ponto em comum, uma vez que eu sempre fui simpático à causa dos afrodescendentes (e também das mulheres, homossexuais e discriminados de uma forma geral), mas acho que esta criação de “cotas percentuais” é, seguramente, a forma menos adequada de solucionar o problema.
A premissa básica para a adoção de um sistema de cotas (seja ele qual for), é defender alguém que não conseguiria obter um determinado posto em função das suas limitações. Esta premissa é obviamente falsa, tanto com relação aos negros como quanto às mulheres. E acaba por criar uma espécie de preconceito às avessas, ao facilitar a vida de determinados grupos em detrimento de outros.
Ninguém pensa em criar uma cota para brancos na seleção brasileira de futebol ou uma cota para baixinhos na seleção de vôlei (imagino como reagiriam Mano Menezes e Bernardinho a este tipo de proposta). E um ministério, embora ninguém no Brasil ligue muito para isto, é uma espécie de seleção brasileira, onde os cargos devem ser preenchidos única e exclusivamente em função da competência e do mérito de cada um para exercer o cargo.
Neste ponto, a proposta de Frei David é tão indecente quanto o fisiologismo dos partidos políticos, que trocam apoio por “cotas” no poder executivo ou nas estatais.
Resumindo, tenho uma proposta simples; quem sabe a Presidente Dilma não assume um estilo totalmente inovador e nomeia o seu ministério (e, de quebra, todos os postos executivos de estatais e empresas públicas) baseando-se, unicamente, na competência das pessoas, sem levar em conta raça, sexo, partido político ou qualquer outro critério? Não sei qual seria o percentual que tocaria para cada um, mas tenho certeza que teríamos negros, brancos, mulheres, homens, homossexuais, jovens e velhos, e a coisa funcionaria perfeitamente integrada. Porque tenho certeza que a única coisa capaz de salvar este País é a valorização da competência, em todas as áreas de conhecimento. E, infelizmente, a adoção de sistemas de cotas (sejam eles quais forem) sempre será um entrave para este processo.
Não conheço o Frei David dos Santos, mas já descobri que temos um ponto em comum, uma vez que eu sempre fui simpático à causa dos afrodescendentes (e também das mulheres, homossexuais e discriminados de uma forma geral), mas acho que esta criação de “cotas percentuais” é, seguramente, a forma menos adequada de solucionar o problema.
A premissa básica para a adoção de um sistema de cotas (seja ele qual for), é defender alguém que não conseguiria obter um determinado posto em função das suas limitações. Esta premissa é obviamente falsa, tanto com relação aos negros como quanto às mulheres. E acaba por criar uma espécie de preconceito às avessas, ao facilitar a vida de determinados grupos em detrimento de outros.
Ninguém pensa em criar uma cota para brancos na seleção brasileira de futebol ou uma cota para baixinhos na seleção de vôlei (imagino como reagiriam Mano Menezes e Bernardinho a este tipo de proposta). E um ministério, embora ninguém no Brasil ligue muito para isto, é uma espécie de seleção brasileira, onde os cargos devem ser preenchidos única e exclusivamente em função da competência e do mérito de cada um para exercer o cargo.
Neste ponto, a proposta de Frei David é tão indecente quanto o fisiologismo dos partidos políticos, que trocam apoio por “cotas” no poder executivo ou nas estatais.
Resumindo, tenho uma proposta simples; quem sabe a Presidente Dilma não assume um estilo totalmente inovador e nomeia o seu ministério (e, de quebra, todos os postos executivos de estatais e empresas públicas) baseando-se, unicamente, na competência das pessoas, sem levar em conta raça, sexo, partido político ou qualquer outro critério? Não sei qual seria o percentual que tocaria para cada um, mas tenho certeza que teríamos negros, brancos, mulheres, homens, homossexuais, jovens e velhos, e a coisa funcionaria perfeitamente integrada. Porque tenho certeza que a única coisa capaz de salvar este País é a valorização da competência, em todas as áreas de conhecimento. E, infelizmente, a adoção de sistemas de cotas (sejam eles quais forem) sempre será um entrave para este processo.
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