Se todas as previsões se confirmarem, o Brasil inicia neste domingo um processo (que espero que seja rápido) para tirar Dilma e seu mentor espiritual Lula do poder. A pergunta que fica é; o que esperamos que aconteça a partir daí? Não estou me referindo aos problemas de seus sucessores na linha direta da constitucionalidade (Temer, Cunha, Calheiros), todos envolvidos também em irregularidades, mas sim ao que se espera do Brasil pós-PT. A sábia Mafalda, personagem do genial cartunista argentino Quino, dizia; “não é suficiente destruir as estruturas, precisamos saber o que vamos fazer com os cacos”.
Não custa lembrar que já vimos filme parecido em 1992, quando o país inteiro comemorou o impeachment do então presidente Fernando Collor. Resultados práticos; nenhum. A corrupção não acabou e o próprio Collor retornou à política triunfalmente, sendo hoje um dos mais representativos nomes do senado brasileiro.
O que faltou? Faltou, como sempre, um projeto. Em 2010 a então desconhecida candidata Dilma Rousseff falou que “um país sem projetos é um país sem futuro”. Para quem só era conhecida como “a mãe do PAC” (alguém lembra do PAC?), uma boa frase. Talvez uma das poucas coisas coerentes que ela disse em toda a sua vida pública.
Infelizmente, a falta de educação e o imediatismo são características muito fortes da sociedade brasileira como um todo, não sendo exclusividade nem de coxinhas nem de petralhas. A foto abaixo, que eu mesmo tirei, é de uma pichação colocada em um muro do bairro carioca Jardim Botânico, nas manifestações de junho/2013. Prá mim é o resumo perfeito das crenças brasileiras. E uma boa explicação sobre como um país com tantas possibilidades de sucesso continua na lama.
Como não me agrada a ideia que o impeachment de Dilma também não tenha grandes resultados práticos no longo prazo, entendo que é hora de pensar em algumas alternativas para que isto não aconteça. Vale lembrar que, diferentemente de 1992, temos hoje uma sociedade bem mais forte, que foi capaz de colocar na cadeia empresários e políticos de alto escalão; este é um ponto importante, e um avanço que não pode admitir recuos.
Vou listar abaixo alguns dos pontos que me parecem importantes para debater, e prometo voltar a cada um deles em futuros posts, até porque este já ficou muito grande;
a) Reforma ministerial (nenhum país do mundo precisa de 40 ministérios);
b) Redução dos cargos de confiança e do custo da máquina administrativa (o número de assessores que os nossos políticos têm, tanto na esfera federal como estadual e até municipal é, seguramente, absurdo. Esta reforma é fácil de fazer e vai economizar muito);
c) Adoção de voto distrital e facultativo (acho que o Brasil é o único país do mundo em que votar é obrigação);
d) Obrigação, por parte de todo e qualquer ocupante de cargos políticos, de disponibilizar na internet sua declaração de bens (permite à sociedade controlar possíveis sintomas de enriquecimento anormal);
e) Nomeação dos presidentes e diretores de empresas estatais por critérios técnicos, com verificação anual de cumprimento de metas (é assim em todos os lugares civilizados do mundo).
Acho que estes cinco itens são suficientes para começar, mas tem muito mais. O que não pode é tirar o PT e deixar tudo como está, porque daqui há algum tempo vamos sair às ruas para tirar o PSDB, ou o PMDB, ou, pior de tudo, reeleger o Lula.
O Brasil precisa de um projeto de país. Se querem um grito de guerra, tenho um; Gerentes de projeto, unidos, jamais serão vencidos!
sábado, 16 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
De Bolsonaro a Trump, a volta triunfal do “politicamente incorreto”
Cena carioca; domingo, por volta de meio-dia, estou na caminhada habitual pelo calçadão da praia da Barra, quando uma movimentação incomum me chama a atenção. Um sujeito de camiseta branca, que também faz seu exercício, é interrompido a toda hora para abraços, apertos de mão e diversas outras tietagens. Será um artista global? Um astro do esporte? Quando ele chega mais perto e passa praticamente ao meu lado, reconheço a figura do Deputado Jair Bolsonaro. Como estávamos caminhando na mesma direção, pude acompanhar o fenômeno durante mais alguns minutos; as pessoas se viram para olhar, um sujeito perto de mim comenta com outros dois; “Este é o Bolsonaro, aquele que disse que só não estuprava a Dilma porque não valia a pena. Eu tenho que dar um abraço neste cara!”. Na verdade, a frase não foi dirigida à Dilma, mas, conforme já disse alguém bem melhor que eu, quando a versão é melhor que os fatos, dane-se os fatos.
Meninos, eu vi. Ninguém me contou. E não me venham dizer que é coisa de emergente da Barra, porque o entusiasmo dos funcionários dos quiosques era o mesmo. Fiquei pensando; qual outro político de relevância no Brasil passaria por um teste destes hoje, andando pelo calçadão de uma praia cheia de gente? Lula? Dilma? Aécio? Sinceramente, tenho dúvidas.
Chegando em casa, abro o jornal e vejo que, embora esteja caindo nas pesquisas, Donald Trump ainda é um dos favoritos para indicação dos republicanos à Presidência dos Estados Unidos. E não posso deixar de ligar uma coisa à outra.
Trump e Bolsonaro têm em comum a ojeriza ao “politicamente correto”; são terrivelmente grosseiros, mas sinceros em seus posicionamentos. E o sucesso dos dois é uma demonstração clara de que existe muita gente de saco cheio disto.
Pausa para reflexão; será que a onda do “politicamente correto” não gerou alguns posicionamentos tão radicais quanto os anteriores? E que, conforme nos dizia o velho e bom Isaac Newton, a toda ação corresponde uma reação igual e contrária? Só para citar um exemplo, se nós somos contra qualquer tipo de preconceito, então não poderíamos aceitar uma fala como a do ex-presidente Lula quando ele disse que a culpa da desigualdade econômica era do pessoal “branco e de olhos claros”. Isto é preconceito; afinal, eu sou branco, neto de alemães, e não me considero culpado por porcaria nenhuma. Só que ninguém no mundo de hoje dá a um branco o direito de se sentir ofendido. Satanizar os heterossexuais pode; criticar homossexuais dá cadeia. Enfim, o racismo e o preconceito não mudaram; apenas mudou o lado que bate e o que apanha. E a impressão que tenho é que a ficha caiu e hoje as pessoas comuns começaram a dar a resposta; estamos de saco cheio disto. Esta confusão toda acaba aumentando a popularidade de gente radical como Bolsonaro ou Trump. Que, a meu ver, também não representam uma boa solução.
O grande Nelson Mandela provou, recentemente, que o único jeito de evoluir é através do perdão e do diálogo. Depois de sofrer na pele uma vida inteira de injustiças, não aproveitou sua subida ao poder para dar o troco nos brancos; ao contrário, chamou todo mundo para conversar, e mudou o destino de uma nação. Antes dele, Martin Luther King teve o sonho da igualdade, não da vingança. É preciso interpretar corretamente os sinais e entender que é preciso ceder dos dois lados. Bolsonaro e Trump são radicais, mas têm sua dose de razão, e podem contribuir para o debate. Só que os “politicamente corretos” também têm que aprender a negociar. Se isto não acontecer, podemos cair em um confronto puro e simples e acabar tendo um retrocesso perigosíssimo. Que, tenho certeza, não será bom para ninguém.
Meninos, eu vi. Ninguém me contou. E não me venham dizer que é coisa de emergente da Barra, porque o entusiasmo dos funcionários dos quiosques era o mesmo. Fiquei pensando; qual outro político de relevância no Brasil passaria por um teste destes hoje, andando pelo calçadão de uma praia cheia de gente? Lula? Dilma? Aécio? Sinceramente, tenho dúvidas.
Chegando em casa, abro o jornal e vejo que, embora esteja caindo nas pesquisas, Donald Trump ainda é um dos favoritos para indicação dos republicanos à Presidência dos Estados Unidos. E não posso deixar de ligar uma coisa à outra.
Trump e Bolsonaro têm em comum a ojeriza ao “politicamente correto”; são terrivelmente grosseiros, mas sinceros em seus posicionamentos. E o sucesso dos dois é uma demonstração clara de que existe muita gente de saco cheio disto.
Pausa para reflexão; será que a onda do “politicamente correto” não gerou alguns posicionamentos tão radicais quanto os anteriores? E que, conforme nos dizia o velho e bom Isaac Newton, a toda ação corresponde uma reação igual e contrária? Só para citar um exemplo, se nós somos contra qualquer tipo de preconceito, então não poderíamos aceitar uma fala como a do ex-presidente Lula quando ele disse que a culpa da desigualdade econômica era do pessoal “branco e de olhos claros”. Isto é preconceito; afinal, eu sou branco, neto de alemães, e não me considero culpado por porcaria nenhuma. Só que ninguém no mundo de hoje dá a um branco o direito de se sentir ofendido. Satanizar os heterossexuais pode; criticar homossexuais dá cadeia. Enfim, o racismo e o preconceito não mudaram; apenas mudou o lado que bate e o que apanha. E a impressão que tenho é que a ficha caiu e hoje as pessoas comuns começaram a dar a resposta; estamos de saco cheio disto. Esta confusão toda acaba aumentando a popularidade de gente radical como Bolsonaro ou Trump. Que, a meu ver, também não representam uma boa solução.
O grande Nelson Mandela provou, recentemente, que o único jeito de evoluir é através do perdão e do diálogo. Depois de sofrer na pele uma vida inteira de injustiças, não aproveitou sua subida ao poder para dar o troco nos brancos; ao contrário, chamou todo mundo para conversar, e mudou o destino de uma nação. Antes dele, Martin Luther King teve o sonho da igualdade, não da vingança. É preciso interpretar corretamente os sinais e entender que é preciso ceder dos dois lados. Bolsonaro e Trump são radicais, mas têm sua dose de razão, e podem contribuir para o debate. Só que os “politicamente corretos” também têm que aprender a negociar. Se isto não acontecer, podemos cair em um confronto puro e simples e acabar tendo um retrocesso perigosíssimo. Que, tenho certeza, não será bom para ninguém.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Quarenta anos de formado. Já?
No dia 13 de dezembro de 1975, numa enorme festa no Ginásio Gigantinho, do Internacional, eu e mais uns 300 formandos do curso de engenharia da UFRGS recebemos o nosso diploma. É interessante notar que no dia seguinte, no Estádio ao lado deste ginásio, o Inter venceu o Cruzeiro em um jogo épico, e conquistou seu primeiro campeonato brasileiro de futebol, mas meu coração gremista prefere ignorar esta coincidência histórica.
Hoje, quarenta anos depois, como está o Brasil, e a engenharia brasileira? É claro que é possível escrever vários artigos e talvez até um livro sobre o assunto, mas vou tentar focar em alguns poucos pontos, para evitar que o provável leitor desista só de olhar.
1. O perfil do engenheiro; fiz parte da última geração que ainda utilizou réguas de cálculo. Conheci uma calculadora de quatro operações quando já estava no terceiro ano da faculdade, e o nosso conceito de “computador” ainda era o monstrengo chamado “IBM 1130”. O avanço da informática trouxe, na minha visão, duas consequências importantes, uma ruim e uma boa;
a) Perda da sensibilidade matemática; sem querer puxar a brasa para o meu assado, entendo que a falta de ferramentas nos obrigava a entender melhor os problemas e ter uma boa noção sobre ordem de grandeza (tínhamos que trabalhar sempre com números redondos). Hoje vejo engenheiros que são apenas “pilotos de planilha”; colocam os dados e registram as respostas, automaticamente. Veja bem, não estou dizendo que são menos inteligentes do que os antigos; apenas ficaram preguiçosos, nunca precisaram fazer uma conta de cabeça. E isto faz falta;
b) Desenvolvimento de outras qualidades; como passávamos a maior parte do tempo envolvidos com contas e números a parte “humana” dos engenheiros da minha época era uma verdadeira tragédia (veja bem; estou falando em termos médios). Assim, quando ele evoluía para posições gerenciais, costumava se portar como um ogro. Hoje, a parte “braçal” da matemática é feita por computadores, e os engenheiros (em média, repito) estão muito mais habilitados a lidar com questionamentos fora da sua área de atuação. Isto é ótimo.
2. O Brasil mudou só um pouquinho; cursei a faculdade no momento mais forte e repressivo da ditadura militar, no início dos anos 70. Também vivi o “milagre brasileiro”, na época. Depois de formado vi, com satisfação, a evolução para um estado democrático, mas também sei que o maior fator para o fim da ditadura foi a decadência econômica do modelo que nos levou ao “milagre”. Hoje vejo com tristeza que a situação se repete; o PT copiou exatamente o que deu errado no modelo militar e estamos diante de uma nova crise pós-“milagre”. Sem entrar muito em detalhe, o que eu entendo disto tudo é que nos faltou uma evolução cultural; estamos em um estado democrático, e espero que ninguém pense em sair dele, mas o fato é que não temos ainda um debate político qualificado (continuamos com briguinhas ideológicas, tipo neo-liberais x bolivarianos, assim como antigamente eram comunistas x reacionários, enquanto o mundo civilizado já passou deste estágio há tempos). A própria estrutura de poder não evoluiu; o Presidente da República, embora agora seja eleito por voto popular, mantém poderes quase ditatoriais, o que pode ser visto no caso da Petrobras, onde ficou claro que Presidente, Diretores e Conselho de Administração da empresa nunca tiveram liberdade para discordar do Palácio do Planalto; quem não dançar conforme a música, vai embora. Resumindo, não somos mais uma ditadura, mas ainda estamos longe de uma cultura democrática. E, infelizmente, isto faz muita diferença, ainda.
3. As mulheres arrombaram a porta; esta talvez seja a mudança cultural mais significativa e interessante de todas. Sim, eu fui criado em uma sociedade em que as “moças de família” casavam virgens e eram treinadas para o papel de esposas e donas de casa. “O avental todo sujo de ovo” citado na melosa canção, era o diploma de “rainha do lar”, a mãe e esposa exemplar e submissa. Fico impressionado em ver como as coisas mudaram tanto em tão pouco tempo. Para ter uma ideia de qual era o papel da mulher na sociedade de então, digo que, dos 400 alunos aprovados no vestibular de engenharia da UFRGS em 1971, apenas 20 (ou seja, 5%), eram mulheres. E, se a memória não me falha, este número foi um recorde para os padrões da época. Impressionante como, em poucas décadas, chegamos ao ponto de ter uma mulher ocupando a Presidência da República (embora não seja, seguramente, o mais brilhante exemplar da espécie, mas tudo bem). É claro que ainda existem bolsões de resistência machista, afinal quarenta anos é muito pouca coisa em termos de história, mas esta foi uma evolução espetacular. Uma vitória para as mulheres, e para toda a sociedade.
4. Perspectivas futuras; este é outro ponto onde o mundo mudou muito. Em 1975 a expectativa de vida útil do ser humano era bem menor. Minha geração foi a que largou o cigarro (eu, graças a Deus e a uma bronquite asmática na infância, nunca tive nem a curiosidade de experimentar), e também começou a dar importância a uma alimentação saudável e exercícios físicos. A famosa música dos Beatles colocava a idade de 64 anos como a porta do asilo (“will you still need me, will you still feed me, when I’m 64?”). Pois bem, eu e meus colegas estamos hoje nesta faixa (eu completo os 64 em 11 de março próximo) sem necessidade de que alguém nos alimente, e com a certeza de que ainda precisam da gente. E, entendo eu, com a possibilidade de assumir o protagonismo na maior mudança da história do Brasil. Porque estamos assistindo a cenas inéditas; empresários, diretores de empresas estatais e privadas e até políticos de primeiro escalão estão indo em cana. Agora, para que isto traga resultados práticos, é preciso que não fiquemos na posição de meros torcedores; é hora de entrar em campo, exigindo que novas bases sejam estabelecidas. Sai de campo o compadrismo, as capitanias hereditárias, o “jeitinho brasileiro”, o autoritarismo; entram a meritocracia, a competitividade, a eficiência e a educação de qualidade. E nós, engenheiros, somos importantes para que este jogo vire. Afinal, se tem alguém que entende de projetos, somos nós.
Quem viver, verá.
Hoje, quarenta anos depois, como está o Brasil, e a engenharia brasileira? É claro que é possível escrever vários artigos e talvez até um livro sobre o assunto, mas vou tentar focar em alguns poucos pontos, para evitar que o provável leitor desista só de olhar.
1. O perfil do engenheiro; fiz parte da última geração que ainda utilizou réguas de cálculo. Conheci uma calculadora de quatro operações quando já estava no terceiro ano da faculdade, e o nosso conceito de “computador” ainda era o monstrengo chamado “IBM 1130”. O avanço da informática trouxe, na minha visão, duas consequências importantes, uma ruim e uma boa;
a) Perda da sensibilidade matemática; sem querer puxar a brasa para o meu assado, entendo que a falta de ferramentas nos obrigava a entender melhor os problemas e ter uma boa noção sobre ordem de grandeza (tínhamos que trabalhar sempre com números redondos). Hoje vejo engenheiros que são apenas “pilotos de planilha”; colocam os dados e registram as respostas, automaticamente. Veja bem, não estou dizendo que são menos inteligentes do que os antigos; apenas ficaram preguiçosos, nunca precisaram fazer uma conta de cabeça. E isto faz falta;
b) Desenvolvimento de outras qualidades; como passávamos a maior parte do tempo envolvidos com contas e números a parte “humana” dos engenheiros da minha época era uma verdadeira tragédia (veja bem; estou falando em termos médios). Assim, quando ele evoluía para posições gerenciais, costumava se portar como um ogro. Hoje, a parte “braçal” da matemática é feita por computadores, e os engenheiros (em média, repito) estão muito mais habilitados a lidar com questionamentos fora da sua área de atuação. Isto é ótimo.
2. O Brasil mudou só um pouquinho; cursei a faculdade no momento mais forte e repressivo da ditadura militar, no início dos anos 70. Também vivi o “milagre brasileiro”, na época. Depois de formado vi, com satisfação, a evolução para um estado democrático, mas também sei que o maior fator para o fim da ditadura foi a decadência econômica do modelo que nos levou ao “milagre”. Hoje vejo com tristeza que a situação se repete; o PT copiou exatamente o que deu errado no modelo militar e estamos diante de uma nova crise pós-“milagre”. Sem entrar muito em detalhe, o que eu entendo disto tudo é que nos faltou uma evolução cultural; estamos em um estado democrático, e espero que ninguém pense em sair dele, mas o fato é que não temos ainda um debate político qualificado (continuamos com briguinhas ideológicas, tipo neo-liberais x bolivarianos, assim como antigamente eram comunistas x reacionários, enquanto o mundo civilizado já passou deste estágio há tempos). A própria estrutura de poder não evoluiu; o Presidente da República, embora agora seja eleito por voto popular, mantém poderes quase ditatoriais, o que pode ser visto no caso da Petrobras, onde ficou claro que Presidente, Diretores e Conselho de Administração da empresa nunca tiveram liberdade para discordar do Palácio do Planalto; quem não dançar conforme a música, vai embora. Resumindo, não somos mais uma ditadura, mas ainda estamos longe de uma cultura democrática. E, infelizmente, isto faz muita diferença, ainda.
3. As mulheres arrombaram a porta; esta talvez seja a mudança cultural mais significativa e interessante de todas. Sim, eu fui criado em uma sociedade em que as “moças de família” casavam virgens e eram treinadas para o papel de esposas e donas de casa. “O avental todo sujo de ovo” citado na melosa canção, era o diploma de “rainha do lar”, a mãe e esposa exemplar e submissa. Fico impressionado em ver como as coisas mudaram tanto em tão pouco tempo. Para ter uma ideia de qual era o papel da mulher na sociedade de então, digo que, dos 400 alunos aprovados no vestibular de engenharia da UFRGS em 1971, apenas 20 (ou seja, 5%), eram mulheres. E, se a memória não me falha, este número foi um recorde para os padrões da época. Impressionante como, em poucas décadas, chegamos ao ponto de ter uma mulher ocupando a Presidência da República (embora não seja, seguramente, o mais brilhante exemplar da espécie, mas tudo bem). É claro que ainda existem bolsões de resistência machista, afinal quarenta anos é muito pouca coisa em termos de história, mas esta foi uma evolução espetacular. Uma vitória para as mulheres, e para toda a sociedade.
4. Perspectivas futuras; este é outro ponto onde o mundo mudou muito. Em 1975 a expectativa de vida útil do ser humano era bem menor. Minha geração foi a que largou o cigarro (eu, graças a Deus e a uma bronquite asmática na infância, nunca tive nem a curiosidade de experimentar), e também começou a dar importância a uma alimentação saudável e exercícios físicos. A famosa música dos Beatles colocava a idade de 64 anos como a porta do asilo (“will you still need me, will you still feed me, when I’m 64?”). Pois bem, eu e meus colegas estamos hoje nesta faixa (eu completo os 64 em 11 de março próximo) sem necessidade de que alguém nos alimente, e com a certeza de que ainda precisam da gente. E, entendo eu, com a possibilidade de assumir o protagonismo na maior mudança da história do Brasil. Porque estamos assistindo a cenas inéditas; empresários, diretores de empresas estatais e privadas e até políticos de primeiro escalão estão indo em cana. Agora, para que isto traga resultados práticos, é preciso que não fiquemos na posição de meros torcedores; é hora de entrar em campo, exigindo que novas bases sejam estabelecidas. Sai de campo o compadrismo, as capitanias hereditárias, o “jeitinho brasileiro”, o autoritarismo; entram a meritocracia, a competitividade, a eficiência e a educação de qualidade. E nós, engenheiros, somos importantes para que este jogo vire. Afinal, se tem alguém que entende de projetos, somos nós.
Quem viver, verá.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Tiririca presidente? Por que não?
Da série "um País não pode ser maior do que os valores de seu povo";
Soube hoje que o deputado Tiririca (não sei nem o nome, nem o sobrenome dele) é o quinto na linha sucessória para ocupar a Presidência da República, caso se confirme o "impeachment" da "Presidenta" (argh....) Dilma. O engraçado é que já vi e ouvi muita gente boa dizendo que o Tiririca é um deputado exemplar, porque não falta às sessões e não é corrupto. Acrescento, por minha conta, que, até onde estou informado, ele não bate em mulher, paga seus impostos, etc...
Com todo o respeito, este é um currículo mínimo para qualquer função, mas para citar alguém como "exemplar" na sua área de atuação, entendo que o sujeito tem que ter a chamada "competência específica".
Considero que Tiririca pode ser chamado de "humorista exemplar" (quase falei "palhaço exemplar" mas, infelizmente, este termo pode ter outras conotações) porque, além das qualidades acima, também é um cara muito engraçado, capaz de fazer a gente rir.
Agora, para citá-lo como "deputado exemplar", gostaria de saber quais foram os projetos de lei que apresentou, qual seu posicionamento diante das grandes questões nacionais, e coisas assim. E isto ninguém sabe - provavelmente, nem ele.
Resumindo; um País que espera tão pouco de seus homens públicos, não vai chegar muito longe, mesmo. E a culpa não é do Tiririca; é de quem votou nele "só de zueira".
Pensem nisto...
Soube hoje que o deputado Tiririca (não sei nem o nome, nem o sobrenome dele) é o quinto na linha sucessória para ocupar a Presidência da República, caso se confirme o "impeachment" da "Presidenta" (argh....) Dilma. O engraçado é que já vi e ouvi muita gente boa dizendo que o Tiririca é um deputado exemplar, porque não falta às sessões e não é corrupto. Acrescento, por minha conta, que, até onde estou informado, ele não bate em mulher, paga seus impostos, etc...
Com todo o respeito, este é um currículo mínimo para qualquer função, mas para citar alguém como "exemplar" na sua área de atuação, entendo que o sujeito tem que ter a chamada "competência específica".
Considero que Tiririca pode ser chamado de "humorista exemplar" (quase falei "palhaço exemplar" mas, infelizmente, este termo pode ter outras conotações) porque, além das qualidades acima, também é um cara muito engraçado, capaz de fazer a gente rir.
Agora, para citá-lo como "deputado exemplar", gostaria de saber quais foram os projetos de lei que apresentou, qual seu posicionamento diante das grandes questões nacionais, e coisas assim. E isto ninguém sabe - provavelmente, nem ele.
Resumindo; um País que espera tão pouco de seus homens públicos, não vai chegar muito longe, mesmo. E a culpa não é do Tiririca; é de quem votou nele "só de zueira".
Pensem nisto...
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Ser canalha no futebol é normal?
Da longa série “no fundo, somos todos canalhas”;
O campeonato brasileiro de futebol chega à sua última rodada, e nos apresenta uma situação que não é inédita, mas faz pensar. O Vasco, presidido pelo neandertal Eurico Miranda, depende do resultado do jogo do Fluminense para não cair. E justamente pelo comportamento troglodita do citado diretor, vejo vários amigos tricolores cogitando a “entrega” do jogo para o Figueirense, o que seria a pá de cal para as pretensões do Vasco de permanecer na série A.
Veja bem, ninguém está falando que o time, por já não disputar nada, vai jogar desmotivado e, provavelmente, desfalcado; o papo é “entregar o jogo”. E depois curtir, feliz, com a desgraça dos cruzmaltinos.
Esta proposta ajuda muito a entender os valores e crenças brasileiros e, por tabela, explicar o nosso alto índice de corrupção e falcatruas. Afinal, se analisarmos sob o ponto de vista de negócio, é muito melhor para os tricolores ter o Vasco na série A do que o Figueirense; são dois clássicos garantidos em 2016, e uma viagem a menos, é só fazer as contas. O próprio futebol do Rio se fortalece, na hora de reivindicar alguma coisa, se todos os seus times estiverem na divisão de elite. Além disto, este tipo de atitude acaba por desvalorizar o futebol como um todo; quem quer assistir a um jogo de cartas marcadas?
Mas o mais importante é o aspecto ético e moral. Afinal, se o torcedor do Fluminense considera que entregar um jogo é coisa normal, então não pode reclamar das safadezas e falcatruas de políticos e empresários. E o mesmo se aplica a torcedores de outros clubes (inclusive o meu Grêmio, que fez coisa parecida no jogo com o Flamengo em 2009). Resumindo; se a gente apoia este tipo de sacanagem, então não temos moral para sair na rua reclamando de corrupção e desvio de verbas.
Enfim, ainda temos um longo caminho a percorrer no campo da ética e da disciplina. E não adianta rotular os políticos como “canalhas”; eles são apenas o reflexo de nós todos, a sociedade dos pequenos canalhas otários. A mudança cultural é possível, mas tem que começar dentro de cada um. E enquanto nós brasileiros escolhemos continuar com estas atitudes pequenas, do outro lado do Oceano alguém grita; Gooool da Alemanha!
O campeonato brasileiro de futebol chega à sua última rodada, e nos apresenta uma situação que não é inédita, mas faz pensar. O Vasco, presidido pelo neandertal Eurico Miranda, depende do resultado do jogo do Fluminense para não cair. E justamente pelo comportamento troglodita do citado diretor, vejo vários amigos tricolores cogitando a “entrega” do jogo para o Figueirense, o que seria a pá de cal para as pretensões do Vasco de permanecer na série A.
Veja bem, ninguém está falando que o time, por já não disputar nada, vai jogar desmotivado e, provavelmente, desfalcado; o papo é “entregar o jogo”. E depois curtir, feliz, com a desgraça dos cruzmaltinos.
Esta proposta ajuda muito a entender os valores e crenças brasileiros e, por tabela, explicar o nosso alto índice de corrupção e falcatruas. Afinal, se analisarmos sob o ponto de vista de negócio, é muito melhor para os tricolores ter o Vasco na série A do que o Figueirense; são dois clássicos garantidos em 2016, e uma viagem a menos, é só fazer as contas. O próprio futebol do Rio se fortalece, na hora de reivindicar alguma coisa, se todos os seus times estiverem na divisão de elite. Além disto, este tipo de atitude acaba por desvalorizar o futebol como um todo; quem quer assistir a um jogo de cartas marcadas?
Mas o mais importante é o aspecto ético e moral. Afinal, se o torcedor do Fluminense considera que entregar um jogo é coisa normal, então não pode reclamar das safadezas e falcatruas de políticos e empresários. E o mesmo se aplica a torcedores de outros clubes (inclusive o meu Grêmio, que fez coisa parecida no jogo com o Flamengo em 2009). Resumindo; se a gente apoia este tipo de sacanagem, então não temos moral para sair na rua reclamando de corrupção e desvio de verbas.
Enfim, ainda temos um longo caminho a percorrer no campo da ética e da disciplina. E não adianta rotular os políticos como “canalhas”; eles são apenas o reflexo de nós todos, a sociedade dos pequenos canalhas otários. A mudança cultural é possível, mas tem que começar dentro de cada um. E enquanto nós brasileiros escolhemos continuar com estas atitudes pequenas, do outro lado do Oceano alguém grita; Gooool da Alemanha!
sábado, 28 de novembro de 2015
Quando as instituições não funcionam...
Mais uma da longa série “tentando entender o Brasil”;
Notícia do Globo de hoje, sobre um suposto estupro no alojamento da UFRJ (ver; http://">http://oglobo.globo.com/rio/policia-apura-denuncia-de-estupro-dentro-de-alojamento-da-ufrj-18162106), acabou despertando minha atenção por outro motivo.
Ocorre que o suposto estuprador é o mesmo cara que, em abril/2013, causou um sério acidente (com mortes) na Av. Brasil. Detalhe; ele não estava dirigindo. Ele era o passageiro de um ônibus, que não parou no ponto que ele queria (justamente na Cidade Universitária). Indignado, Rodrigo (este é o nome do cidadão) agrediu o motorista do ônibus com um chute, o motorista perdeu o controle do veículo que caiu de cima de uma passarela, causando a morte de alguns passageiros.
Na mesma notícia li que Rodrigo (descrito por colegas e professores como bom aluno e bem-humorado) já tinha dois processos anteriores por agressão. No meu diagnóstico de leigo, um típico caso de dupla personalidade.
A pergunta é; como um sujeito com um histórico destes continua circulando livremente pelas ruas? Não sei se ele é culpado do estupro, mas depois de ter aprontado até casos com morte de inocentes, o cara continua por aí para fazer mais merda? Não levou nem cartão amarelo?
Em represália ao suposto estupro, colegas dele queimaram a cama onde Rodrigo dormia. É o tipo da reação que não serve prá nada, afinal a instituição é pública e quem vai pagar pela nova cama somos nós mesmos, mas mostra apenas que, quando as instituições não funcionam, as pessoas tomam a justiça nas próprias mãos. E vão fazer merda, também.
Uma pequena notícia que ajuda muito a explicar o Brasil.
Notícia do Globo de hoje, sobre um suposto estupro no alojamento da UFRJ (ver; http://">http://oglobo.globo.com/rio/policia-apura-denuncia-de-estupro-dentro-de-alojamento-da-ufrj-18162106), acabou despertando minha atenção por outro motivo.
Ocorre que o suposto estuprador é o mesmo cara que, em abril/2013, causou um sério acidente (com mortes) na Av. Brasil. Detalhe; ele não estava dirigindo. Ele era o passageiro de um ônibus, que não parou no ponto que ele queria (justamente na Cidade Universitária). Indignado, Rodrigo (este é o nome do cidadão) agrediu o motorista do ônibus com um chute, o motorista perdeu o controle do veículo que caiu de cima de uma passarela, causando a morte de alguns passageiros.
Na mesma notícia li que Rodrigo (descrito por colegas e professores como bom aluno e bem-humorado) já tinha dois processos anteriores por agressão. No meu diagnóstico de leigo, um típico caso de dupla personalidade.
A pergunta é; como um sujeito com um histórico destes continua circulando livremente pelas ruas? Não sei se ele é culpado do estupro, mas depois de ter aprontado até casos com morte de inocentes, o cara continua por aí para fazer mais merda? Não levou nem cartão amarelo?
Em represália ao suposto estupro, colegas dele queimaram a cama onde Rodrigo dormia. É o tipo da reação que não serve prá nada, afinal a instituição é pública e quem vai pagar pela nova cama somos nós mesmos, mas mostra apenas que, quando as instituições não funcionam, as pessoas tomam a justiça nas próprias mãos. E vão fazer merda, também.
Uma pequena notícia que ajuda muito a explicar o Brasil.
domingo, 15 de novembro de 2015
Perdão foi feito prá gente pedir
Da série “falar em perdão numa hora destas?”
Li hoje que um dos terroristas suicidas que causaram centenas de mortes em Paris na triste sexta-feira 13 era francês e tinha 29 anos. E lembrei de meu conterrâneo Lupicínio Rodrigues; “Estes moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...”.
Maior que a indignação, o ódio e o desejo de vingança, na minha visão, tem que ser a reflexão que a civilização ocidental deve fazer neste momento sobre onde é que NÓS erramos. Porque não se pode esperar que o lado das trevas faça isto; eles só querem a volta à Idade Média, só que agora com fuzis e explosivos sintéticos (que foram desenvolvidas pela ciência do lado da “luz”, diga-se).
O que precisa ocupar nossos pensamentos não é apenas o desejo de exterminar todos estes fanáticos do planeta; mas sim procurar entender o que leva um sujeito de vinte e poucos anos, vivendo em um lugar decente, que lhe proporciona todas as oportunidades, a fazer a opção pelo suicídio “glorioso” levando consigo um monte de inocentes.
Combater o terror é a prioridade do mundo; sem dúvida, ervas daninhas tem que ser contidas antes que tomem conta do jardim. Mas é preciso ir além e buscar a explicação para este fenômeno. Porque tantos jovens estão, usando as palavras do já citado poeta gremista, “deixando o céu por escuro e descendo ao inferno, à procura de luz”?
Li, em algum lugar, que a grandeza de uma religião não se mede pelo número de pessoas que ela exclui, mas sim pelos que ela é capaz de incluir. Quando Jesus falou “Ama teu próximo como a ti mesmo”, a frase acabou ali, ele não acrescentou algo do tipo “desde que ele pense do mesmo jeito que você”. A boa religião é a que te faz mais doce, paciente e disposto a aceitar o próximo, por mais difícil que isto possa parecer. Infelizmente, não é o que acontece com as religiões de hoje, mesmo as consideradas “civilizadas”. Talvez aí esteja a origem do problema.
Eu sei que é difícil, mas peço hoje um momento de oração por estes moços que se perderam no caminho e, num instante de fraqueza, perpetraram tanta barbárie contra os outros e contra si próprios. E que Deus nos dê a luz necessária para que possamos achar a solução definitiva para este mal. Que passa muito mais pela compreensão e pela inclusão do que por mais preconceito e violência, tenho certeza.
Li hoje que um dos terroristas suicidas que causaram centenas de mortes em Paris na triste sexta-feira 13 era francês e tinha 29 anos. E lembrei de meu conterrâneo Lupicínio Rodrigues; “Estes moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...”.
Maior que a indignação, o ódio e o desejo de vingança, na minha visão, tem que ser a reflexão que a civilização ocidental deve fazer neste momento sobre onde é que NÓS erramos. Porque não se pode esperar que o lado das trevas faça isto; eles só querem a volta à Idade Média, só que agora com fuzis e explosivos sintéticos (que foram desenvolvidas pela ciência do lado da “luz”, diga-se).
O que precisa ocupar nossos pensamentos não é apenas o desejo de exterminar todos estes fanáticos do planeta; mas sim procurar entender o que leva um sujeito de vinte e poucos anos, vivendo em um lugar decente, que lhe proporciona todas as oportunidades, a fazer a opção pelo suicídio “glorioso” levando consigo um monte de inocentes.
Combater o terror é a prioridade do mundo; sem dúvida, ervas daninhas tem que ser contidas antes que tomem conta do jardim. Mas é preciso ir além e buscar a explicação para este fenômeno. Porque tantos jovens estão, usando as palavras do já citado poeta gremista, “deixando o céu por escuro e descendo ao inferno, à procura de luz”?
Li, em algum lugar, que a grandeza de uma religião não se mede pelo número de pessoas que ela exclui, mas sim pelos que ela é capaz de incluir. Quando Jesus falou “Ama teu próximo como a ti mesmo”, a frase acabou ali, ele não acrescentou algo do tipo “desde que ele pense do mesmo jeito que você”. A boa religião é a que te faz mais doce, paciente e disposto a aceitar o próximo, por mais difícil que isto possa parecer. Infelizmente, não é o que acontece com as religiões de hoje, mesmo as consideradas “civilizadas”. Talvez aí esteja a origem do problema.
Eu sei que é difícil, mas peço hoje um momento de oração por estes moços que se perderam no caminho e, num instante de fraqueza, perpetraram tanta barbárie contra os outros e contra si próprios. E que Deus nos dê a luz necessária para que possamos achar a solução definitiva para este mal. Que passa muito mais pela compreensão e pela inclusão do que por mais preconceito e violência, tenho certeza.
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