Da série “falar em perdão numa hora destas?”
Li hoje que um dos terroristas suicidas que causaram centenas de mortes em Paris na triste sexta-feira 13 era francês e tinha 29 anos. E lembrei de meu conterrâneo Lupicínio Rodrigues; “Estes moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...”.
Maior que a indignação, o ódio e o desejo de vingança, na minha visão, tem que ser a reflexão que a civilização ocidental deve fazer neste momento sobre onde é que NÓS erramos. Porque não se pode esperar que o lado das trevas faça isto; eles só querem a volta à Idade Média, só que agora com fuzis e explosivos sintéticos (que foram desenvolvidas pela ciência do lado da “luz”, diga-se).
O que precisa ocupar nossos pensamentos não é apenas o desejo de exterminar todos estes fanáticos do planeta; mas sim procurar entender o que leva um sujeito de vinte e poucos anos, vivendo em um lugar decente, que lhe proporciona todas as oportunidades, a fazer a opção pelo suicídio “glorioso” levando consigo um monte de inocentes.
Combater o terror é a prioridade do mundo; sem dúvida, ervas daninhas tem que ser contidas antes que tomem conta do jardim. Mas é preciso ir além e buscar a explicação para este fenômeno. Porque tantos jovens estão, usando as palavras do já citado poeta gremista, “deixando o céu por escuro e descendo ao inferno, à procura de luz”?
Li, em algum lugar, que a grandeza de uma religião não se mede pelo número de pessoas que ela exclui, mas sim pelos que ela é capaz de incluir. Quando Jesus falou “Ama teu próximo como a ti mesmo”, a frase acabou ali, ele não acrescentou algo do tipo “desde que ele pense do mesmo jeito que você”. A boa religião é a que te faz mais doce, paciente e disposto a aceitar o próximo, por mais difícil que isto possa parecer. Infelizmente, não é o que acontece com as religiões de hoje, mesmo as consideradas “civilizadas”. Talvez aí esteja a origem do problema.
Eu sei que é difícil, mas peço hoje um momento de oração por estes moços que se perderam no caminho e, num instante de fraqueza, perpetraram tanta barbárie contra os outros e contra si próprios. E que Deus nos dê a luz necessária para que possamos achar a solução definitiva para este mal. Que passa muito mais pela compreensão e pela inclusão do que por mais preconceito e violência, tenho certeza.
domingo, 15 de novembro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
REDUÇÃO DA EMISSÃO DE GASES; ENTRE A POESIA E O PROJETO
Infelizmente tenho um gosto musical totalmente diferente da maioria, e curto compositores que pouca gente conhece. Isto, provavelmente, vem desta minha mania (totalmente ultrapassada) de gostar de letras com significado, estruturadas em frases com sujeito, verbo e objeto. Isto me faz fã de nomes como Renato Teixeira, Paulo César Pinheiro, Luiz Vieira e outros que pouquíssima gente sabe que existem. Tudo bem, se a maioria absoluta prefere Valeska Popozuda e Michel Teló quem deve estar errado sou eu, mesmo.
Nesta minha busca por qualidade musical descobri, há algum tempo, um sujeito chamado Geraldo Azevedo, capaz de escrever uma coisa absolutamente linda, chamada “Dia Branco”. Para quem não conhece, a letra começa assim; “Se você vier, pro que der e vier comigo, eu te prometo o sol, se hoje o sol sair, ou a chuva, se a chuva cair...”. Nada mais lindo que o poeta pobretão dizendo à sua musa que nada tem a oferecer, além do que chamamos “amor”. Em tempos de “Material Girls”, acredito que nenhuma mulher mais acha interessante um papo destes, mas, enfim... poesia é a arte do impossível. Ou algo assim.
Antes que alguém pense que eu esclerosei de vez, gostaria de fazer o “link” entre o bom Geraldo Azevedo e o gerenciamento de projetos; é que, fiel ao meu espírito de velhinho metido a engraçado, elegi esta como a “Melô do Gerente de Projeto”; para quem não entendeu, acho que o bom gerente é aquele que não promete nada além do que pode cumprir. E, na grande maioria das vezes, nós só podemos prometer o sol e a chuva, desde que eles concordem com isto. Ou seja, nada.
Tudo isto me veio à cabeça ao ler o anúncio feito com pompa e circunstância, em plena ONU, pela nossa preclara “Presidenta” sobre as metas de redução de emissão de gases no Brasil; 35% até 2025, e 43% até 2030.
Minha longa experiência com gerenciamento de projetos me ensinou a duvidar deste tipo de números, por princípio. Além disto, a credibilidade da anunciante já anda abalada demais. Resumindo, gostaria de fazer apenas algumas perguntas;
a) De onde saíram estes números? Existem estudos conclusivos sobre o assunto? Estão disponíveis?
b) Teremos um cronograma com metas intermediárias (algo do tipo; até 2018 vamos reduzir em 5%, depois mais 10%, e assim por diante)? Ou o plano é empurrar com a barriga até 2024 e depois dizer “Ih, pessoal, foi mal, não deu, fica prá 2065, tá bom assim”?
c) Existe um plano de ações coordenadas definido? Ou depois a gente vai pensar nisto?
d) Existe um responsável pelo cumprimento do plano (gerente do projeto)? É a própria Dilma? E se o PT sair do poder em 2018, ninguém mais será responsável por nada?
e) Existe um plano de gerenciamento de riscos? Alguém já pensou nisto?
f) Resumindo, isto é um projeto ou um mero desejo (eu gostaria que a emissão de gases diminuísse)?
Só para livrar a cara dos meus amigos petistas, gostaria de dizer que tudo o que foi dito acima, sem tirar nem por, é o que aconteceu com o “Projeto de despoluição da Baía da Guanabara”, que já foi anunciado por diversos governantes de todos os partidos ao longo de muitos anos, e nunca saiu do papel. Na versão mais recente que lembro, o projeto foi anunciado como “prioritário” em 2002, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos jogos Pan-americanos de 2007. Agora estamos em 2015, os atuais governantes jogaram a toalha e admitiram que a raia olímpica de 2016 vai ser a mesma porcaria que conhecemos. Depois a gente vê como é que fica.
Resumindo; uma meta de longo prazo, anunciada sem definição de cronograma, escopo e orçamento não é um projeto, é poesia. E se é para ser poesia, a Dilma que me perdoe, mas prefiro ouvir o bom Geraldo Azevedo, prometendo à amada “um dia branco, se branco ele for, este tanto, este canto de amor...”.
Até a próxima.
Nesta minha busca por qualidade musical descobri, há algum tempo, um sujeito chamado Geraldo Azevedo, capaz de escrever uma coisa absolutamente linda, chamada “Dia Branco”. Para quem não conhece, a letra começa assim; “Se você vier, pro que der e vier comigo, eu te prometo o sol, se hoje o sol sair, ou a chuva, se a chuva cair...”. Nada mais lindo que o poeta pobretão dizendo à sua musa que nada tem a oferecer, além do que chamamos “amor”. Em tempos de “Material Girls”, acredito que nenhuma mulher mais acha interessante um papo destes, mas, enfim... poesia é a arte do impossível. Ou algo assim.
Antes que alguém pense que eu esclerosei de vez, gostaria de fazer o “link” entre o bom Geraldo Azevedo e o gerenciamento de projetos; é que, fiel ao meu espírito de velhinho metido a engraçado, elegi esta como a “Melô do Gerente de Projeto”; para quem não entendeu, acho que o bom gerente é aquele que não promete nada além do que pode cumprir. E, na grande maioria das vezes, nós só podemos prometer o sol e a chuva, desde que eles concordem com isto. Ou seja, nada.
Tudo isto me veio à cabeça ao ler o anúncio feito com pompa e circunstância, em plena ONU, pela nossa preclara “Presidenta” sobre as metas de redução de emissão de gases no Brasil; 35% até 2025, e 43% até 2030.
Minha longa experiência com gerenciamento de projetos me ensinou a duvidar deste tipo de números, por princípio. Além disto, a credibilidade da anunciante já anda abalada demais. Resumindo, gostaria de fazer apenas algumas perguntas;
a) De onde saíram estes números? Existem estudos conclusivos sobre o assunto? Estão disponíveis?
b) Teremos um cronograma com metas intermediárias (algo do tipo; até 2018 vamos reduzir em 5%, depois mais 10%, e assim por diante)? Ou o plano é empurrar com a barriga até 2024 e depois dizer “Ih, pessoal, foi mal, não deu, fica prá 2065, tá bom assim”?
c) Existe um plano de ações coordenadas definido? Ou depois a gente vai pensar nisto?
d) Existe um responsável pelo cumprimento do plano (gerente do projeto)? É a própria Dilma? E se o PT sair do poder em 2018, ninguém mais será responsável por nada?
e) Existe um plano de gerenciamento de riscos? Alguém já pensou nisto?
f) Resumindo, isto é um projeto ou um mero desejo (eu gostaria que a emissão de gases diminuísse)?
Só para livrar a cara dos meus amigos petistas, gostaria de dizer que tudo o que foi dito acima, sem tirar nem por, é o que aconteceu com o “Projeto de despoluição da Baía da Guanabara”, que já foi anunciado por diversos governantes de todos os partidos ao longo de muitos anos, e nunca saiu do papel. Na versão mais recente que lembro, o projeto foi anunciado como “prioritário” em 2002, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos jogos Pan-americanos de 2007. Agora estamos em 2015, os atuais governantes jogaram a toalha e admitiram que a raia olímpica de 2016 vai ser a mesma porcaria que conhecemos. Depois a gente vê como é que fica.
Resumindo; uma meta de longo prazo, anunciada sem definição de cronograma, escopo e orçamento não é um projeto, é poesia. E se é para ser poesia, a Dilma que me perdoe, mas prefiro ouvir o bom Geraldo Azevedo, prometendo à amada “um dia branco, se branco ele for, este tanto, este canto de amor...”.
Até a próxima.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
A Síndrome do Coelho da Alice
Da série “reflexões de um desocupado profissional”;
Sempre gostei de dois personagens do livro Alice no País das Maravilhas; o coelho branco e a rainha de copas. O primeiro vivia correndo de um lado para outro, carregando um relógio e dizendo que tinha pressa, mesmo sem saber direito para onde ia. Já a rainha, sempre que contrariada, só sabia ordenar; “cortem a cabeça!”.
Muitas vezes, durante projetos encrencados em que estive envolvido, alertei os colegas para o que eu batizava como “Síndrome do Coelho da Alice”; o cara ficava tão pressionado que tentava fazer tudo ao mesmo tempo e acabava fazendo tudo errado. Eu mesmo procurava organizar as minhas preocupações usando um método simples; anotava tudo em um caderninho, dividindo em “incêndios”, “importantes” e “VPMT – vou pensar mais tarde”. Havia uma última coluninha secreta, com o título “DPL (deixa prá lá)”, onde eu colocava tudo aquilo que me incomodava, mas eu não tinha como resolver, portanto não devia ocupar meu tempo. Diga-se que, nos meus últimos anos de Petrobras, esta era a coluna mais cheia... Enfim, deu no que deu.
Hoje o Brasil é muito parecido com o reino de Alice; Dilma cabe exatamente no papel da rainha desorientada e mandona, enquanto o Ministro Levy, provavelmente o único cara com um mínimo de bom-senso na corte dos malucos, é o coitado do coelhinho, que corre para todos os lados, mas não consegue resolver nada. Seria até divertido, se nós não fossemos os passageiros deste ônibus sem freio, ladeira abaixo.
Até a próxima.
Sempre gostei de dois personagens do livro Alice no País das Maravilhas; o coelho branco e a rainha de copas. O primeiro vivia correndo de um lado para outro, carregando um relógio e dizendo que tinha pressa, mesmo sem saber direito para onde ia. Já a rainha, sempre que contrariada, só sabia ordenar; “cortem a cabeça!”.
Muitas vezes, durante projetos encrencados em que estive envolvido, alertei os colegas para o que eu batizava como “Síndrome do Coelho da Alice”; o cara ficava tão pressionado que tentava fazer tudo ao mesmo tempo e acabava fazendo tudo errado. Eu mesmo procurava organizar as minhas preocupações usando um método simples; anotava tudo em um caderninho, dividindo em “incêndios”, “importantes” e “VPMT – vou pensar mais tarde”. Havia uma última coluninha secreta, com o título “DPL (deixa prá lá)”, onde eu colocava tudo aquilo que me incomodava, mas eu não tinha como resolver, portanto não devia ocupar meu tempo. Diga-se que, nos meus últimos anos de Petrobras, esta era a coluna mais cheia... Enfim, deu no que deu.
Hoje o Brasil é muito parecido com o reino de Alice; Dilma cabe exatamente no papel da rainha desorientada e mandona, enquanto o Ministro Levy, provavelmente o único cara com um mínimo de bom-senso na corte dos malucos, é o coitado do coelhinho, que corre para todos os lados, mas não consegue resolver nada. Seria até divertido, se nós não fossemos os passageiros deste ônibus sem freio, ladeira abaixo.
Até a próxima.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Teorias conspiratórias no futebol - até quando?
Mais uma da longa série “porque que a gente é assim...”;
Mesmo sem nenhuma base científica para afirmar isto, penso que o Brasil é o país com maior número de teorias conspiratórias por metro quadrado do mundo. E o futebol, nosso vício maior, é o campo onde esta praga mais acontece. Todo mundo garante que os campeonatos são decididos pela Globo, pela Nyke, pelo Galvão Bueno e pela bancada da bola no congresso, dependendo do vilão do momento. Jogadores e árbitros são apenas marionetes, que seguem um roteiro perfeitamente definido. E o pior é que ninguém aceita argumentos lógicos que provam o contrário.
Ontem, mais uma vez, os fatos contrariaram estas teorias ridículas. Corinthians e Flamengo, que todo mundo jura que são os escolhidos de Deus (ou da Globo, o que, no Brasil, é a mesma coisa), foram eliminados da Copa do Brasil logo nas oitavas. Tudo bem que seus adversários, Vasco e Santos, também são grandes. Mas o que dizer do Galo Mineiro, campeão do ano passado, que foi eliminado pelo Figueirense (que, com todo o respeito, em termos de respercussão nacional é apenas um Figueirense), em um jogo com uma expulsão prá lá de polêmica que acabou influenciando no resultado final?
Resumindo, vou falar o que sempre falo; o jogo se decide no campo. É claro que os juízes erram, e até acredito que, em caso de dúvida, podem, ocasionalmente, optar por favorecer o time mais poderoso, mas nada que se compare a “conspirações” para que A ou B seja o campeão.
Só para alinhar mais um argumento; com todo o escândalo que está sendo revelado na FIFA, até agora ninguém falou em “entrega” de jogos (conforme muita gente jura que aconteceu na final da Copa de 1998, por exemplo), ou compra de árbitros para decidir campeonatos. E o motivo é simples; isto pode até acontecer, mas em casos muito raros e isolados.
Mas eu sei que ninguém vai acreditar nisto, portanto, cada um que fique com suas verdades. Mesmo quando os fatos provam o contrário...
Mesmo sem nenhuma base científica para afirmar isto, penso que o Brasil é o país com maior número de teorias conspiratórias por metro quadrado do mundo. E o futebol, nosso vício maior, é o campo onde esta praga mais acontece. Todo mundo garante que os campeonatos são decididos pela Globo, pela Nyke, pelo Galvão Bueno e pela bancada da bola no congresso, dependendo do vilão do momento. Jogadores e árbitros são apenas marionetes, que seguem um roteiro perfeitamente definido. E o pior é que ninguém aceita argumentos lógicos que provam o contrário.
Ontem, mais uma vez, os fatos contrariaram estas teorias ridículas. Corinthians e Flamengo, que todo mundo jura que são os escolhidos de Deus (ou da Globo, o que, no Brasil, é a mesma coisa), foram eliminados da Copa do Brasil logo nas oitavas. Tudo bem que seus adversários, Vasco e Santos, também são grandes. Mas o que dizer do Galo Mineiro, campeão do ano passado, que foi eliminado pelo Figueirense (que, com todo o respeito, em termos de respercussão nacional é apenas um Figueirense), em um jogo com uma expulsão prá lá de polêmica que acabou influenciando no resultado final?
Resumindo, vou falar o que sempre falo; o jogo se decide no campo. É claro que os juízes erram, e até acredito que, em caso de dúvida, podem, ocasionalmente, optar por favorecer o time mais poderoso, mas nada que se compare a “conspirações” para que A ou B seja o campeão.
Só para alinhar mais um argumento; com todo o escândalo que está sendo revelado na FIFA, até agora ninguém falou em “entrega” de jogos (conforme muita gente jura que aconteceu na final da Copa de 1998, por exemplo), ou compra de árbitros para decidir campeonatos. E o motivo é simples; isto pode até acontecer, mas em casos muito raros e isolados.
Mas eu sei que ninguém vai acreditar nisto, portanto, cada um que fique com suas verdades. Mesmo quando os fatos provam o contrário...
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
O problema das drogas; será que não está faltando bom senso?
Mais uma da série; “ninguém me perguntou nada, mas eu acho que...”;
Nunca consegui ver o menor sentido neste debate sobre descriminalizar o uso de drogas, mantendo a proibição da produção e venda. Afinal, esta proposta não resiste â lógica mais elementar; se alguém esta portando uma substância cuja venda é proibida, é porque comprou de forma ilegal e, portanto é, no mínimo, sócio do criminoso. Ninguém pode alegar inocência dizendo que comprou um produto contrabandeado ou que exigiu propina “para uso pessoal”. Ou é proibido ou não é. Simples assim.
Minha proposta de solução para o problema é mais simples ainda; é proibido proibir, libera tudo e estamos conversados. E diga-se que quem está falando aqui é um dos caras mais "nerds" de toda a geração de Woodstock; só para ter uma ideia, eu nunca fumei um cigarro, legalizado ou não (e, diga-se, isto nunca me fez a menor falta).
A justificativa deste meu ponto de vista é mais simples ainda; a melhor maneira de combater um mau hábito é o esclarecimento, que só acontece na medida em que as coisas são tratadas de forma transparente. O fracasso da “lei seca”, nos Estados Unidos do início do século passado, e os recentes sucessos obtidos pelas leis de restrição do consumo de álcool para motoristas e ao tabagismo, de um modo geral, são exemplos altamente positivos. Veja bem, ninguém pensou em colocar na ilegalidade os fabricantes e vendedores de bebidas e cigarros, todo este setor funciona muito bem, gerando empregos e impostos, mas a sociedade consegue, cada vez mais, coibir os efeitos maléficos do uso destas substâncias. Você fuma e bebe o que quiser, só não pode prejudicar os outros. Não vejo porque isto não iria acontecer com as outras drogas. No vizinho Uruguai, a maconha foi liberada e, no depoimento do próprio presidente Mujica, “o mundo não acabou”.
De qualquer forma, se é verdade que a “sociedade não está preparada para isto”, conforme dizem todos os que insistem em manter o status atual, entendo que a repressão, então, tem que ser total. E aí entendo que o melhor é adotar logo a lei de Cingapura, onde a pena (de morte) é a mesma para quem é descoberto com dez gramas de droga ou uma tonelada. Lá, pelo menos, o sujeito tem amplo direito de defesa, e o próprio estado se encarrega da execução, quando é o caso, enquanto aqui a pena de morte é decretada e executada pelos traficantes, num processo muito mais injusto e ruinoso para todo mundo, além de aumentar exponencialmente o número de inocentes mortos. Ressalto mais uma vez que não concordo com nada disto, mas entendo que, se a escolha da sociedade é pela repressão (que não é a minha opção, repito), que, pelo menos, seja feita de forma eficiente. Somando e subtraindo, o número de mortos lá é muito menor do que aqui, e o sentimento de segurança nas ruas, incomparavelmente maior.
Resumindo, conforme diria minha sábia avó lá de Santa Maria, ou é calça de veludo ou bunda de fora. Se a opção é proibir, que o estado o faça com mão pesada e coloque logo todo mundo no mesmo saco. O bom senso me levar a pensar que liberar tudo seria a opção mais inteligente, até mesmo para diminuir e controlar o consumo. Mas ficar no meio do caminho, seguramente, é a pior opção.
Nunca consegui ver o menor sentido neste debate sobre descriminalizar o uso de drogas, mantendo a proibição da produção e venda. Afinal, esta proposta não resiste â lógica mais elementar; se alguém esta portando uma substância cuja venda é proibida, é porque comprou de forma ilegal e, portanto é, no mínimo, sócio do criminoso. Ninguém pode alegar inocência dizendo que comprou um produto contrabandeado ou que exigiu propina “para uso pessoal”. Ou é proibido ou não é. Simples assim.
Minha proposta de solução para o problema é mais simples ainda; é proibido proibir, libera tudo e estamos conversados. E diga-se que quem está falando aqui é um dos caras mais "nerds" de toda a geração de Woodstock; só para ter uma ideia, eu nunca fumei um cigarro, legalizado ou não (e, diga-se, isto nunca me fez a menor falta).
A justificativa deste meu ponto de vista é mais simples ainda; a melhor maneira de combater um mau hábito é o esclarecimento, que só acontece na medida em que as coisas são tratadas de forma transparente. O fracasso da “lei seca”, nos Estados Unidos do início do século passado, e os recentes sucessos obtidos pelas leis de restrição do consumo de álcool para motoristas e ao tabagismo, de um modo geral, são exemplos altamente positivos. Veja bem, ninguém pensou em colocar na ilegalidade os fabricantes e vendedores de bebidas e cigarros, todo este setor funciona muito bem, gerando empregos e impostos, mas a sociedade consegue, cada vez mais, coibir os efeitos maléficos do uso destas substâncias. Você fuma e bebe o que quiser, só não pode prejudicar os outros. Não vejo porque isto não iria acontecer com as outras drogas. No vizinho Uruguai, a maconha foi liberada e, no depoimento do próprio presidente Mujica, “o mundo não acabou”.
De qualquer forma, se é verdade que a “sociedade não está preparada para isto”, conforme dizem todos os que insistem em manter o status atual, entendo que a repressão, então, tem que ser total. E aí entendo que o melhor é adotar logo a lei de Cingapura, onde a pena (de morte) é a mesma para quem é descoberto com dez gramas de droga ou uma tonelada. Lá, pelo menos, o sujeito tem amplo direito de defesa, e o próprio estado se encarrega da execução, quando é o caso, enquanto aqui a pena de morte é decretada e executada pelos traficantes, num processo muito mais injusto e ruinoso para todo mundo, além de aumentar exponencialmente o número de inocentes mortos. Ressalto mais uma vez que não concordo com nada disto, mas entendo que, se a escolha da sociedade é pela repressão (que não é a minha opção, repito), que, pelo menos, seja feita de forma eficiente. Somando e subtraindo, o número de mortos lá é muito menor do que aqui, e o sentimento de segurança nas ruas, incomparavelmente maior.
Resumindo, conforme diria minha sábia avó lá de Santa Maria, ou é calça de veludo ou bunda de fora. Se a opção é proibir, que o estado o faça com mão pesada e coloque logo todo mundo no mesmo saco. O bom senso me levar a pensar que liberar tudo seria a opção mais inteligente, até mesmo para diminuir e controlar o consumo. Mas ficar no meio do caminho, seguramente, é a pior opção.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
MAIS UMA VÍTIMA DE "PRECONCEITO". SERÁ MESMO?
Mais uma da série “pequenas coisas que me irritam muito”:
O técnico Cristóvão Borges, que vem fazendo um trabalho altamente questionável no Flamengo, veio a público reclamar que algumas das críticas que tem sofrido teriam “conotação racista”. Sou contra qualquer tipo de preconceito, seja ele racial, sexual, religioso, ou o que for, mas não aguento mais esta postura de “coitadismo” que alguns representantes de supostas minorias prejudicadas adotam em situações de pressão.
No esporte, principalmente, temos um campo em que o preconceito funciona muito pouco. Lembro que Felipão, quando questionado sobre racismo no futebol, disse uma frase que eu nunca esqueci; “olha, dentro de campo não tem nada disto. A única coisa que interessa é se o cara joga bola ou não joga. Se ele é bom, ninguém vai perguntar se ele é branco, preto, amarelo ou verde; todos querem o cara no seu time”. Concordo em gênero, número e grau.
Para não ir muito longe, no meu Grêmio, cuja torcida é sempre citada como racista, estão todos encantados com o trabalho do negro Roger (que substituiu o branco Felipão), principalmente depois dos 5x0 no último grenal (desculpem, mas eu não podia deixar de falar nisto). Enquanto isto, naquele outro time de Porto Alegre, o branco Diego Aguirre foi jogado fora como se fosse um papel higiênico usado, uma atitude grosseira e mesquinha, seja qual for a cor da pele dos envolvidos.
Enfim, futebol ainda é um lugar onde a meritocracia funciona bem (pelo menos dentro do campo). O bom e educado Cristóvão não precisava disto. Ele já está no futebol há tempo mais que suficiente para saber que a regra é esta; ganhou, vai ficando, perdeu, cai fora. Não interessa se é branco, preto, cinza, verde...
O técnico Cristóvão Borges, que vem fazendo um trabalho altamente questionável no Flamengo, veio a público reclamar que algumas das críticas que tem sofrido teriam “conotação racista”. Sou contra qualquer tipo de preconceito, seja ele racial, sexual, religioso, ou o que for, mas não aguento mais esta postura de “coitadismo” que alguns representantes de supostas minorias prejudicadas adotam em situações de pressão.
No esporte, principalmente, temos um campo em que o preconceito funciona muito pouco. Lembro que Felipão, quando questionado sobre racismo no futebol, disse uma frase que eu nunca esqueci; “olha, dentro de campo não tem nada disto. A única coisa que interessa é se o cara joga bola ou não joga. Se ele é bom, ninguém vai perguntar se ele é branco, preto, amarelo ou verde; todos querem o cara no seu time”. Concordo em gênero, número e grau.
Para não ir muito longe, no meu Grêmio, cuja torcida é sempre citada como racista, estão todos encantados com o trabalho do negro Roger (que substituiu o branco Felipão), principalmente depois dos 5x0 no último grenal (desculpem, mas eu não podia deixar de falar nisto). Enquanto isto, naquele outro time de Porto Alegre, o branco Diego Aguirre foi jogado fora como se fosse um papel higiênico usado, uma atitude grosseira e mesquinha, seja qual for a cor da pele dos envolvidos.
Enfim, futebol ainda é um lugar onde a meritocracia funciona bem (pelo menos dentro do campo). O bom e educado Cristóvão não precisava disto. Ele já está no futebol há tempo mais que suficiente para saber que a regra é esta; ganhou, vai ficando, perdeu, cai fora. Não interessa se é branco, preto, cinza, verde...
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
O NOCAUTE VOCÊ VIU. E O PROJETO POR TRÁS DO NOCAUTE?
O assunto mais importante para os fãs de esporte durante as últimas semanas foi a preparação para a luta feminina de MMA mais esperada da história, entre a americana Ronda Rousey e a brasileira Bethe Correia. E o resultado foi, até certo ponto, decepcionante; meses e meses de provocações, xingamentos e guerra de nervos, resultaram em míseros 34 segundos de combate – tempo necessário para a americana nocautear a brasileira com dois socos bem dados.
A vitória de Ronda não chegou a ser surpreendente, mas a forma pela qual foi obtida sim. Porque a aposta de todos os comentaristas especializados era que a brasileira, fisicamente mais forte, poderia vencer na troca de socos, e que Ronda, especialista em judô, tentaria levar a luta para o chão. Na hora, Ronda fez exatamente o contrário do que era esperado, e se deu muito bem. Nas entrevistas pós-massacre, a lourinha com cara de anjo, mas boa de briga, disse que foi tudo meticulosamente planejado e executado justamente com o objetivo de pegar Bethe de surpresa – e foi aí que eu comecei a me interessar por analisar o assunto sob o ponto de vista de gerenciamento de projetos.
Realmente, uma luta é um projeto interessante, uma vez que o atleta passa meses treinando (fase de planejamento) e a fase de execução pode durar apenas alguns segundos. Se me permitem a piadinha, no caso, a executada foi a pobre da Bethe, que ainda não deve ter achado o rumo de casa. Agora, se pensarmos em termos de projeto, o da americana foi bem planejado e muito bem executado. Já a brasileira me pareceu muito mais preocupada em fazer guerra de nervos e tentar desconcentrar a adversária (o que, num esporte individual e violento como este, faz parte do jogo), mas não conseguiu, na hora da verdade, apresentar qualquer alternativa tática para a proposta da adversária. A impressão que tive (aviso, desde já, que não sou especialista no assunto), foi que a única estratégia de Bethe era “acertar um bom soco na carinha dela”, conforme disse em várias entrevistas. Acredito que isto não é suficiente para disputar um título mundial.
Este “causo” todo acabou por me trazer à memória o folclórico Adilson “Maguila” Rodrigues, boxeador que chegou a ter seus momentos de fama há uns trinta anos. Ao contrário da grosseira e malcriada Bethe, o simplório Maguila era uma figura muito tranquila e, sempre que era provocado por algum rival nas entrevistas antes das lutas, usava uma frase que era quase um mantra; “este cara vai “tumá” é “muincha” porrada”, dizia ele, com aquele simpático sotaque carregado dos sergipanos, que eu aprendi quando morei em Aracaju e me traz boas lembranças até hoje. E o mais legal é que ele dizia isto sem se exaltar, quase com preguiça...
Maguila teve uma bela carreira, chegou a ser campeão sul-americano e um dos dez mais bem ranqueados do mundo, mas, na hora em que enfrentou adversários mais qualificados, que exigiriam uma preparação e alternativas táticas mais criativas do que “dar muincha porrada”, se deu mal. O caso de Bethe é semelhante (ela estava invicta, lembrem). Enfim, dois exemplos que nos servem de lições aprendidas, que devem ser aplicadas ao mundo do gerenciamento de projetos; você pode até realizar alguns projetinhos com sucesso só na base da intuição e do bom senso, mas, se quiser realmente ser competitivo e dar um salto de qualidade, é preciso se capacitar e buscar apoio de quem conhece mais o assunto.
O maior lutador da história, Muhammad Ali, na sua luta mais brilhante, contra George Foreman, em 1974, fez melhor ainda; mudou o plano do projeto no meio da luta. Isto, obviamente, é só para os gênios; mas este “causo” eu vou contar outro dia...
A vitória de Ronda não chegou a ser surpreendente, mas a forma pela qual foi obtida sim. Porque a aposta de todos os comentaristas especializados era que a brasileira, fisicamente mais forte, poderia vencer na troca de socos, e que Ronda, especialista em judô, tentaria levar a luta para o chão. Na hora, Ronda fez exatamente o contrário do que era esperado, e se deu muito bem. Nas entrevistas pós-massacre, a lourinha com cara de anjo, mas boa de briga, disse que foi tudo meticulosamente planejado e executado justamente com o objetivo de pegar Bethe de surpresa – e foi aí que eu comecei a me interessar por analisar o assunto sob o ponto de vista de gerenciamento de projetos.
Realmente, uma luta é um projeto interessante, uma vez que o atleta passa meses treinando (fase de planejamento) e a fase de execução pode durar apenas alguns segundos. Se me permitem a piadinha, no caso, a executada foi a pobre da Bethe, que ainda não deve ter achado o rumo de casa. Agora, se pensarmos em termos de projeto, o da americana foi bem planejado e muito bem executado. Já a brasileira me pareceu muito mais preocupada em fazer guerra de nervos e tentar desconcentrar a adversária (o que, num esporte individual e violento como este, faz parte do jogo), mas não conseguiu, na hora da verdade, apresentar qualquer alternativa tática para a proposta da adversária. A impressão que tive (aviso, desde já, que não sou especialista no assunto), foi que a única estratégia de Bethe era “acertar um bom soco na carinha dela”, conforme disse em várias entrevistas. Acredito que isto não é suficiente para disputar um título mundial.
Este “causo” todo acabou por me trazer à memória o folclórico Adilson “Maguila” Rodrigues, boxeador que chegou a ter seus momentos de fama há uns trinta anos. Ao contrário da grosseira e malcriada Bethe, o simplório Maguila era uma figura muito tranquila e, sempre que era provocado por algum rival nas entrevistas antes das lutas, usava uma frase que era quase um mantra; “este cara vai “tumá” é “muincha” porrada”, dizia ele, com aquele simpático sotaque carregado dos sergipanos, que eu aprendi quando morei em Aracaju e me traz boas lembranças até hoje. E o mais legal é que ele dizia isto sem se exaltar, quase com preguiça...
Maguila teve uma bela carreira, chegou a ser campeão sul-americano e um dos dez mais bem ranqueados do mundo, mas, na hora em que enfrentou adversários mais qualificados, que exigiriam uma preparação e alternativas táticas mais criativas do que “dar muincha porrada”, se deu mal. O caso de Bethe é semelhante (ela estava invicta, lembrem). Enfim, dois exemplos que nos servem de lições aprendidas, que devem ser aplicadas ao mundo do gerenciamento de projetos; você pode até realizar alguns projetinhos com sucesso só na base da intuição e do bom senso, mas, se quiser realmente ser competitivo e dar um salto de qualidade, é preciso se capacitar e buscar apoio de quem conhece mais o assunto.
O maior lutador da história, Muhammad Ali, na sua luta mais brilhante, contra George Foreman, em 1974, fez melhor ainda; mudou o plano do projeto no meio da luta. Isto, obviamente, é só para os gênios; mas este “causo” eu vou contar outro dia...
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